José Sócrates terminou o XVI Congresso Nacional do PS com ideias concretas para 2009, um ano com três eleições e obviamente decisivo para o partido.

Objectivamente, pediu a «renovação da maioria absoluta» para poder concretizar as reformas do Governo e distanciou-se dos restantes partidos com críticas directas.

Numa clara tentativa de mostrar o PS como um partido de esquerda, Sócrates anunciou várias medidas sociais:

O alargamento do ensino obrigatório para os 12 anos; criação de uma bolsa de estudo para apoiar os jovens entre os 15 e os 18 anos, com dificuldades financeiras e aproveitamento escolar; obrigatoriedade do ensino pré-escolar e um complemento ao abono de família.

«Responsabilidade, modernização, democracia e igualdade», são as palavras-chave da agenda política, anunciada neste congresso. E Sócrates avisa mesmo: «Ninguém pense que o PS vai desviar-se um milímetro que seja da sua agenda por questões eleitorais».

Maioria absoluta como garante de estabilidade

Sócrates disse ainda que os portugueses têm uma escolha clara a fazer: «se querem seguir o rumo reformista, sem medo de agir; ou se querem regressar ao passado, às figuras do passado, que tiveram a sua oportunidade e falharam redondamente», afirmou, numa directa alusão a Ferreira Leite.

«O tempo não está para aventuras, para demagogia, nem para instabilidade. A última coisa que o país precisa é de, a uma crise económica juntar uma crise política», disse. «Por isso pedirmos a renovação da maioria porque é condição para que o Governo tenha a força e estabilidade necessárias».

Ataques à direita e à esquerda

No dia em que é Teixeira dos Santos o representante do Governo português na cimeira extraordinária da União Europeia, Sócrates volta a atacar os que o criticaram por não estar presente em Bruxelas. «O congresso de um grande partido de Governo é um momento alto da vida nacional. Aqui começa a nossa legitimidade e só não compreende isso quem tem uma visão pobre e redutora», afirmou, numa resposta directa ao PSD, e a Ferreira Leite.

«É aqui que se discutem as ideias e as propostas politicas que apresentamos aos portugueses. Assim se faz a democracia», adiantou Sócrates, que levou depois o ataque mais longe: «Bem sei que há quem tenha até perguntado se não seria melhor a democracia ficar suspensa por 6 meses. Mas para nós, a democracia existe todos os dias, não conhece feriados nem tira férias», disse, referindo-se às declarações polémicas de Ferreira Leite, proferidas há alguns meses.

As eleições Europeias foram o primeiro acto eleitoral a ser abordado pelo Secretário-Geral do PS no discurso de encerramento, e com elas, surgem as críticas à esquerda. « Não nos enganamos nem no rumo nem nos adversários. Ao contrário de alguns que pretendem ser muito de esquerda, não achamos que o projecto europeu seja imperialista», afirmou José Sócrates, que adiantou depois, que «a União Europeia é o espaço mais progressista do mundo».

Destacou depois as qualidades de Vital Moreira, nome escolhido para encabeçar a lista do PS às Europeias.

Unidade no partido

Depois de no discurso de abertura ter criticado a comunicação social, agora Sócrates quis até ajudar os jornalistas e afirmou: «a notícia que sai deste congresso é que o PS reforça a sua unidade, reforça a sua direcção com jovens quadros e cumpre a regra da paridade».

Sem espaço para a eutanásia, o casamento entre homossexuais, nem referência à campanha negra, o secretário-geral do partido defendeu que as eleições autárquicas devem realizar-se autonomamente e nunca em conjunto com outras eleições. Neste âmbito, destacou as lutas «muito importantes» que Elisa Ferreira e António Costa vão travar no Porto e em Lisboa, respectivamente.

Num congresso com poucas vozes críticas, o Secretário-Geral fez questão de frisar o PS como um partido unido e disse mesmo: «Nos não temos que concordar todos em tudo».