Doze anos depois, o PSD vai regressar, nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro, ao Coliseu dos Recreios de Lisboa, um recinto emblemático onde já tiveram lugar congressos sociais-democratas em 1986, 1988, 1995, 1996 e 2002.

Foi na sala de espetáculos da Rua das Portas de Santo Antão que Aníbal Cavaco Silva antecipou que o PSD tinha «grande espaço para crescer», um ano antes da sua primeira maioria absoluta, e que mais tarde se despediu da liderança do partido, sendo sucedido por Fernando Nogueira.

Debaixo da mesma cúpula de ferro, com o PSD na oposição, Marcelo Rebelo de Sousa desafiou quem o contestava a assumir-se: «Se não avançar, vá trabalhar». E Manuela Ferreira Leite, no rescaldo de seis anos de governação de António Guterres, enquanto ministra de Estado e das Finanças de Durão Barroso, comparou Portugal a «uma casa a arder».

Reeleito pelos sociais-democratas nas diretas de 25 de janeiro, Pedro Passos Coelho será o sexto presidente do PSD a pisar o palco do Coliseu dos Recreios de Lisboa, cenário de momentos históricos da vida do partido, entre palmas e vaias, mas de apenas uma disputa de liderança.

Os sociais-democratas reuniram-se pela primeira vez no Coliseu de Lisboa entre 30 de maio e 1 de junho de 1986, no XIII Congresso Nacional, no início de um novo ciclo interno, sem discussão quanto à presidência do partido, com o PSD sozinho no Governo.

Há um ano como presidente do PSD, Cavaco Silva tinha entretanto posto fim ao Bloco Central com o PS, vencera as legislativas de 6 de novembro de 1985 e era primeiro-ministro há seis meses.

No Coliseu, foi reeleito sem opositores, sustentou que o PSD tinha «grande espaço para crescer», incluindo para o campo «tradicionalmente» definido como estando à sua esquerda, e deu destaque à questão da estabilidade governativa.

Com Mário Soares recém-chegado a Belém, após ganhar a segunda volta das presidenciais contra Freitas do Amaral, Cavaco Silva afirmou na sua moção que o PSD pretendia cumprir o seu mandato governativo, mas não temia eleições, nem permitiria o incumprimento do seu programa.

Os congressos do PSD passaram de anuais a bianuais e, dois anos depois, Cavaco Silva voltou ao Coliseu de Lisboa para falar de privatizações e de reformas, entre as quais a da legislação laboral, e apelar a um «consenso aceitável» com o PS sobre a revisão da Constituição.

O Congresso mais marcante do PSD no Coliseu de Lisboa aconteceu entre 17 e 19 de fevereiro de 1995, quando chegava ao fim a chamada década do «cavaquismo» e os sociais-democratas se dividiram na escolha do novo presidente do partido.

Com Cavaco Silva equidistante, sem declarar apoio a nenhum dos candidatos e abstendo-se de votar, a liderança do PSD foi disputada por José Manuel Durão Barroso e por Fernando Nogueira, que venceu por 33 votos.

Pedro Santana Lopes animou o Congresso com um discurso contra a governamentalização do partido, mas acabou por não ir a votos, concorrendo apenas ao Conselho Nacional do PSD.

Foi neste XVII Congresso Nacional do PSD que Luís Filipe Menezes fez a polémica afirmação de que a vitória de Durão Barroso seria o triunfo de um «eixo sulista, elitista e liberal» contrário à identidade do PSD.

Muitos congressistas apuparam-no e, na sequência desse episódio, Menezes renunciou à vice-presidência do partido que lhe tinha sido proposta por Fernando Nogueira.

Cavaco Silva saiu da liderança do PSD sob apelos para que se candidatasse às eleições presidenciais do ano seguinte, o que acabaria por se concretizar.