Manuel Maria Carrilho chegou na tarde do segundo dia do Congresso do PS, que se realiza em Espinho, e começou logo por dizer que seria melhor para o partido o regresso ao «espírito dos Estados Gerais» para melhorar a qualidade do debate com a sociedade civil.

«É isso que o país espera, uma linha de ideias mas também de abertura. Antes de pensar numa nova maioria, é fundamental que o PS se preocupe com a qualidade do debate e com uma atitude de verdade», frisou, não comentando a ausência de Manuel Alegre.

Mas, para além de Alegre, também Narciso Miranda não foi a Espinho, por se sentir «perseguido e excluído». «Participei activamente em 14 congressos do PS e passivamente num. Neste decidi, com tristeza, não participar por me sentir excluído e perseguido», frisou, em declarações à agência Lusa.

«Talvez o líder do partido, José Sócrates, estivesse apenas mal informado quando disse sábado, na abertura do congresso, que no PS não há excluídos, perseguidos e silenciados. Mas, e afirmo-o com pena, isso não corresponde à verdade. Obviamente eles existem no partido, e não são um ou dois nem 50 ou cem», frisou, insistindo nas críticas:

«Quem diverge, critica e exerce o direito de opinião e contraditório é obviamente excluído. Salvaguardam-se apenas alguns, poucos, que face ao impacto que causam na sociedade civil não há coragem no partido para os perseguir. Bem sei que a minha intervenção no PS é hoje em dia irrelevante, mas nesses momentos difíceis ela era considerada muito relevante. Hoje observo com tristeza o partido a agir com pragmatismo frio e calculista e demonstrando pouca memória. Eu tenho a coragem de dizer o que muitos socialistas sentem: sou excluído e perseguido e tenho dados concretos de uma campanha negra contra mim dentro do partido, com ataques pessoais provocados pelos yes-men desta liderança».