O presidente do PSD e primeiro-ministro, Passos Coelho, defendeu esta sexta-feira que a resposta socialista para a recuperação do país «não é sustentável», defendendo o «caminho» trilhado pelo Governo.

«Agora que a recuperação está aí, põe-se a dúvida: será sustentável? Depende de nós todos. A resposta curta é: com a receita socialista, não é. Não, não é sustentável», afirmou Pedro Passos Coelho na abertura do XXXV Congresso do PSD.

O líder social-democrata referiu-se a «algumas vozes» que admitem que as exportações correm bem, que o défice está a diminuir, que há resultados, mas que questionam se esse processo será sustentável.

«Há uma pequena ironia nesta dúvida, é que nos últimos 20 anos ninguém se preocupou com a insustentabilidade da dívida portuguesa, nem da economia portuguesa, nem do desemprego estrutural em Portugal, nem, como toda a gente sabe, nem da falta de rigor, que é a maior ameaça ao estado social que uma sociedade pode enfrentar», defendeu.

Passos disse que nos últimos dois anos o Governo «não tem feito outra coisa» que não seja «pagar dívidas», dando como exemplos a saúde, as autarquias e a Região Autónoma da Madeira.

O presidente do PSD e chefe de Governo atacou também a extrema-esquerda, afirmando, sem nunca nomear, que «houve quem se tivesse empenhado para que a democracia não vingasse em Portugal».

«Muitos deles ainda estão hoje na sociedade portuguesa a cobrar-nos moralmente aquilo que decidimos ou não para resgatar Portugal, como se tivéssemos nós a atentar contra a democracia, o que é extraordinário», afirmou, sendo interrompido por aplausos.

Compromissos com PS compatíveis com disputa política

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel defendera que compromissos com o maior partido da oposição são possíveis, apesar da normal disputa política.

«Não é incompatível haver divergência, debate e confrontação políticos entre os partidos. Não esperamos que o PS esteja de acordo com tudo o que defende o PSD. Acho que é compatível, havendo essa divergência, haver compromisso», declarou Montenegro aos jornalistas, depois do discurso do líder, no Coliseu dos Recreios.

O parlamentar social-democrata deu exemplos de outros presidentes do PSD que fizeram oposição aos homólogos socialistas, mas conseguiram algum grau de convergência - Marques Mendes (pacto de reforma da Justiça), Manuela Ferreira Leite (viabilização do orçamento do Estado para 2010) e até o atual primeiro-ministro, Passos Coelho, (viabilização do Orçamento do Estado para 2011 e alguns Programas de Estabilidade e Crescimento).

O chefe da bancada parlamentar «laranja» insistiu haver «espaço para que, nas grandes questões - aquelas que mais afetam o futuro do país -, possa haver sentido de convergência e compromisso».

«É sempre possível um entendimento com o PS. Isso não impede de fazer críticas. O PS faz todos os dias críticas ao Governo e o Governo não deixa de estar disponível para entendimentos com o PS», concordou Paulo Rangel.

Embora afirmando que «a via socialista com certeza que não é a via certa», há lugar para «entendimentos», uma vez que os mesmos não implicam «a via de um ou de outro» partido.

«É possível em várias áreas, na área política, como foi possível no IRC, é possível em áreas marginais», concluiu.