Como é normal, o Congresso do Partido Socialista teve entre os convidados alguns elementos ligados à oposição. José Pedro Aguiar-Branco representou o PSD, Assunção Cristas o CDS-PP, Carlos Gonçalves o PCP, João Semedo o Bloco e Abel Resende o partido ecologista «Os Verdes». Também o presidente da República esteve representados, assim com o CGTP, a UGT e outras organizações, como a Confederação de Associações de Pais.

Logo após o longo discurso de José Sócrates, surgiram as críticas por parte da oposição, o que já seria de esperar. Por parte do PSD, Aguiar-Banco falou numa certa «vitimização» por parte do primeiro-ministro e recordou a sua ausência do Conselho Europeu: «Este é o momento em que se distingue a retórica do que é a convicção de um princípio. A retórica passa por dizer que Portugal está primeiro e o partido depois mas na prática falta às responsabilidades para com o país por causa do partido»

No entendimento do social-democrata, Sócrates «tentou fazer passar um sentimento de vitimização e criar uma dinâmica de consumo interno», esquecendo-se dos «desempregados, dos pequenos e médios comerciantes, das PME, dos magistrados e dos agricultores».

Mudança¿ à esquerda

A mesma tónica foi utilizada pelo dirigente do PCP, Carlos Gonçalves, apontando precisamente as falhas da governação: «Este congresso visou esconder a situação desgraçada que o PS e o Governo conduziram o país, afectando naturalmente os trabalhadores, o povo e a situação económica social do país».

«A ideia final, e mais importante, é que este Congresso do PS demonstra que é preciso uma mudança no país, uma mudança de facto à esquerda, uma mudança que passe por uma alternativa e por um novo rumo para Portugal», vincou.

João Semedo, do Bloco, sublinhou o facto do lema do Partido Socialista seja «Vencer 2009» e não «Vencer a crise», lamentando que não tenham sido apresentadas propostas para «ultrapassar a crise e para apoiar as suas verdadeiras vítimas». Quanto aos ataques desferidos ao seu partido, mostrou-se tranquilo: «Nós combatemos o PS com argumentos. Não insultamos nem partido nem seus dirigentes ou militantes».

Decepção

À direita, a vice-presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, confessou alguma «decepção» com o discurso e falou «num grande passado» do PS em contraste com o «pouco futuro» que se avizinha.

Carvalho da Silva, por seu lado, considera que o PS está mais preocupado em manter o poder do que em resolver os problemas do país. O secretário-geral da CGTP- IN não valou as suas críticas: «Há aqui muita ausência de uma observação atenta do que são os problemas estruturantes de grandes questões da sociedade portuguesa. Todo o congresso é mais montado para o exercício do poder e de manutenção do poder do que para uma análise profunda dos problemas do país e isso pode ter um custo».