O antigo ministro da cultura João Soares afirmou esta sexta-feira, à chegada ao 21.º Congresso do Partido Socialista, que este "é um grande momento" da história do partido, considerando que o PS contribui para voltar "às origens do movimento socialista".

Em declarações aos jornalistas, João Soares afirmou ter "expectativas de que o Partido Socialista afirme a sua vitalidade e a sua força num grande momento da sua história, o 21.º congresso".

Antigamente a idade adulta era a partir dos 21 anos, digamos que há aqui um valor simbólico neste 21.º congresso em termos da afirmação daquilo que é a unidade do partido na sua pluralidade", sustentou à chegada à Feira Internacional de Lisboa (FIL), onde decorre até domingo a reunião magna socialista.

Questionado sobre se o partido "se radicalizou", o antigo ministro da Cultura foi taxativo: "Não, de forma nenhuma".

Nós precisamos de voltar àquilo que são as origens do movimento socialista, social-democrata e trabalhista no mundo, que foram abastardadas pelas soluções da chamada terceira via", acrescentou.

Na sua opinião, "este Governo do Partido Socialista, no apoio da esquerda representada no parlamento, está a dar um contributo muito significativo" nesta matéria, "em termos de Portugal mas também no quadro da própria Europa".

"A Europa precisa de uma esquerda que se afirme de uma forma clara em torno os seus valores para combater as desigualdades e para afirmar cada vez mais os valores da solidariedade, que tem estado ausente daquele que é o quadro europeu", vincou o antigo governante do executivo de António Costa.

João Soares afirmou também ter "confiança, sobretudo, e uma grande expectativa em relação a esta solução política de entendimento entre as esquerdas", à qual "sempre [foi] favorável".

E até tenho a imodéstia de achar que quando tivemos responsabilidades autárquicas em Lisboa a partir de 1989, sob a presidência do doutor Jorge Sampaio, inaugurámos este modelo que se tem visto que está a funcionar bem no nosso país", declarou.

Quanto a uma eventual ausência de debate interno, João Soares considerou que "desde que se adotou já há muitos anos o modelo não eletivo [os congressos] têm menos debate interno, porque não têm controvérsia do ponto de vista eleitoral, [já que] as coisas estão decididas em termos daquilo que é a escolha da liderança".