O presidente da mesa do Conselho Nacional do CDS-PP, Pires de Lima, afirmou, este sábado, que não gostaria que o Congresso do partido fosse de «discussão de cargos», recusando esclarecer se continuará a liderar aquele órgão dos centristas.

«A última coisa que eu gostaria era que este Congresso fosse um Congresso fulanizado, de discussão de cargos e de títulos, num partido que precisa fundamentalmente de dar um sinal de esperança àqueles que estão a sofrer em Portugal», afirmou António Pires de Lima.

À chegada ao XX Congresso centrista, que começa este sábado em Oliveira do Bairro, o também ministro da Economia não respondeu a Luís Nobre Guedes, o nome apresentado pela tendência do CDS-PP Alternativa e Responsabilidade (AR) para liderar a lista ao Conselho Nacional, mas que fez depender essa candidatura de Pires de Lima não continuar.

«A última coisa que preocupa os portugueses neste momento é saber quem vai ser o presidente do Conselho Nacional do CDS», declarou.

Pires de Lima disse esperar que este seja «um Congresso que seja uma demonstração que o partido nesta altura se sabe centrar focar naquilo que é essencial». «É verdade que estamos a iniciar um processe de recuperação económica mas é igualmente verdade que este crescimento ainda não chegou as pessoas», disse.

«Há muitos portugueses a viverem mal em Portugal, a sofrerem, apesar do sucesso do nosso ajustamento e apesar de estarmos a entrar em crescimento económico», sublinhou.

Sobre o esclarecimento que Paulo Portas prestará acerca da crise política do verão, afirmou: «O doutor Paulo Portas falará e vamos ouvir todos com muita atenção, suponho que vai falar para o país e sobre o país».

Pires de Lima disse não acreditar que esta seja uma reunião magna que comece a preparar a sucessão de Paulo Portas enquanto líder do CDS-PP e afirmou que a participação de Nobre Guedes no Congresso e também a possível presença de António Lobo Xavier irão contribuir para «a boa discussão de ideias».

Também à chegada ao Congresso, a ministra da Agricultura e vice-presidente do CDS, Assunção Cristas, considerou que o congresso que irá decorrer até domingo em Oliveira do Bairro é «uma altura muito boa» para refletir sobre o papel dos partidos nos próximos dois anos.

«Numa altura em que vamos ter no nosso país a liberdade de escolha que nos foi retirada pelo PS, é uma altura muito propícia para essa reflexão», afirmou Cristas aos jornalistas, à entrada para o Congresso centrista.

Questionado se este é o momento para debater a sucessão do atual líder, Paulo Portas, a dirigente democrata-cristão evitou sempre responder.

«Neste momento o que é importante para o CDS é preparar continuação da legislatura e o nosso papel nos próximos anos (...) Prepara-se o futuro trabalhando todos em conjunto», afirmou.