O líder do PSD e ex-primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou este domingo que os sociais-democratas veem no CDS um parceiro preferencial com o qual têm “proximidade e cumplicidade” e não “um adversário político que é preciso combater”.

Não estamos a olhar para o CDS nem olharemos como quem olha para um adversário político que é preciso combater. Estamos à espera que o CDS possa consolidar e crescer no seu espaço político e isso será bom com certeza para o futuro do país”, declarou Passos Coelho após assistir à sessão de encerramento do 26.º Congresso do CDS-PP, em Gondomar (Porto).

Depois do discurso de consagração de Assunção Cristas como sucessora de Paulo Portas, e no final de dois dias de trabalhos em que por diversas vezes os centristas ‘piscaram o olho’ aos eleitores do PSD, Passos Coelho assinalou que se o CDS crescer “será importante para dar ao futuro dos portugueses uma perspetiva de maior convergência” entre as ideias dos dois partidos.

O PSD acha que o CDS não apenas é um partido que sempre será um seu parceiro natural e preferencial, mas sobretudo o PSD acha que o CDS é um grande partido que faz falta ao país”

Numa mensagem a Assunção Cristas, a quem desejou os “maiores sucessos na liderança do CDS”, Pedro Passos Coelho assegurou que a nova líder dos centristas “contará sempre do lado do PSD com um apoio leal”.

Apesar de sermos partidos diferentes, e portanto estarmos na política cada um com as suas ideias, não deixaremos de ser partidos que têm uma grande proximidade e que olham quer para o que fizeram no passado quer para o futuro com alguma proximidade e cumplicidade”, sublinhou aos jornalistas.

Passos Coelho disse ainda que “o PSD olha para esse processo de renovação da liderança do CDS com muita normalidade e naturalidade”, deixando também uma mensagem de “agradecimento” e “respeito” por Paulo Portas, que neste congresso se despediu de 16 anos de liderança.

O líder do PSD lembrou ainda a passagem de Portas pelo Governo, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro, no qual “soube colocar sempre o interesse do país acima de naturais diferenças partidárias que existiram no passado e onde foi possível acrescentar resultados importantes para o país”.

Tenho um grande respeito por Paulo Portas. Desejo-lhe, no seu regresso à vida civil, muita sorte mas, sobretudo, quero agradecer hoje o trabalho que teve como vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros num tempo muito particular da vida nacional”.

O líder do PSD escusou-se a “acrescentar” qualquer comentário sobre algumas das matérias suscitadas ao longo dos dois dias de trabalhos dos centristas, nomeadamente a nomeação do governador do Banco de Portugal.

É sabido qual é a opinião que tenho sobre vários desses temas, mas hoje eu não vim aqui acentuar o que são as nossas diferentes leituras”, respondeu.

Questionado sobre o Orçamento do Estado, que será na próxima semana votado no parlamento, disse apenas: “O PSD esclareceu muito bem como é que ia votar todos os termos do orçamento apresentado pelo PS. Não há mais nada a dizer”.

O PSD já anunciou que votará contra o Orçamento do Estado de 2016.

Desde a sua aprovação, a 24 de fevereiro, a proposta de Orçamento do Estado do Governo socialista tem estado em discussão na especialidade e a votação final global está marcada para 16 de março.