O 21.º Congresso do Partido Socialista decorreu este fim de semana, reunindo vários pesos pesados do partido na Feira Internacional de Lisboa. A reunião magna dos socialistas arrancou na sexta-feira a meio gás, que é como quem diz, com metade dos lugares do pavilhão por preencher, e terminou no domingo, com uma manifestação dos colégios privados à porta.

Entre os discursos de António Costa e o de outros históricos socialistas, houve intervenções entusiásticas de militantes menos conhecidos e momentos em que Carlos César, o presidente do partido (quase) perdeu a paciência.

Estes foram os principais momentos deste congresso:

1. Manifestação dos colégios

O último dia do congresso socialista ficou marcado por uma manifestação contra as mais recentes medidas do Governo na Educação. Em causa, a revisão dos contratos de associação entre o Estado e colégios privados, que tem gerado polémica nas últimas semanas. Com sirenes, apitos e cartazes, dezenas protestaram à porta da FIL e fizeram sair do pavilhão bastantes curiosos para perceber o que se passava lá fora.

O momento não terá passado despercebido a António Costa que, na sua intervenção de encerramento do congresso, mostrou que está do lado do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Os congressistas apoiaram-no com uma grande ovação.

2. As "saudades" de António Guterres

O antigo primeiro-ministro socialista protagonizou a primeira surpresa do congresso ao surgir, no sábado, perante os militantes que se reuniam na FIL. Há 16 anos que Guterres não aparecia num congresso socialista. A música de Vangelis, que marcou a sua campanha eleitoral em 1995, assinalou o acontecimento. Guterres recordou que não pôde estar presente nos últimos congressos pelas funções que desempenhou como alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados e confessou: "Não podem imaginar as saudades que tinha de aqui estar".

3. As intervenções mais surpreendentes

Sábado foi dia de dar a voz aos militantes do partido que se inscreveram para falar no congresso. A mais aguardada era, claro, a de Francisco Assis – peso pesado do PS e opositor da geringonça. Ele que teve direito a assobios, mas que, no fim, até foi aplaudido. Mas antes e depois, houve quem tivesse surpreendido. Pelos mais diversos motivos.

Ricardo Gonçalves, por exemplo, outro dos que está contra a geringonça e que o disse a alto e bom som, discursou de forma exaltada. Insistiu no cumprimento da meta do défice abaixo dos 3% pois, sem isso o PS pode perder as autárquicas, defendeu. Já Joaquim Banha, o primeiro militante a discursar e o único a subir ao palco de bandeira na mão, tem uma opinião diferente: o militante defende o governo PS com apoio de BE, PCP e Os Verdes. Carlos Alberto Ramos, por sua vez, fez uma declaração muito entusiástica. Disse a António Costa que o líder socialista era "combatente do desenvolvimento e da integração" e destacou a importância dada à imigração e à descentralização.

4. Os momentos em que Carlos César (quase) perdeu a paciência

Com 136 intervenções de militantes agendadas para sábado, o tempo dado a cada uma foi cerca de três minutos. Mas houve quem se tivesse excedido, e, por diversas vezes, Carlos César, que foi reeleito presidente do partido neste congresso, perdeu a paciência. Num dos casos, o de Fernando da Silva Topa, acusou mesmo o militante de o desrespeitar. A si e aos restantes congressistas presentes na sala. "Não tem o direito de falar por quatro pessoas. Peço aos camaradas que respeitem o tempo para evitar situações desagradáveis como esta", afirmou. As longas intervenções acabaram mesmo por atrasar os trabalhos em mais de uma hora para além do previsto.

5. As homenagens 

O PS aproveitou o congresso para homenagear algumas das suas figuras mais conhecidas. As que partiram, como o histórico Almeida Santos ou Maria Barroso, mas não só. Figuras que marcaram a história do partido como Mário Soares - que não pôde estar presente - também foram homenageadas nos vídeos que foram exibidos em ecrãs gigantes.

De resto, foi também neste congresso, e devido à morte de Almeida Santos, que António Arnaut se tornou presidente honorário do partido. Algo que o deixou "muito feliz".

Os protagonistas (mais ou menos óbvios) deste congresso