O ex-ministro da Economia António Pires de Lima disse este sábado estar “preocupado” com o atual clima económico, temendo que seja a classe média e os contribuintes a “pagarem a fatura” se algo correr mal ao atual Governo.

Num discurso que abriu o ‘slot dos noticiários’ – nas palavras do presidente da mesa do Congresso do CDS-PP, Luís Queiró, referindo-se a um período de cerca de duas horas que será ocupado pelos notáveis do partido -, Pires de Lima fez questão de elogiar os vários ministros do CDS no anterior Governo de coligação com o PSD e sublinhar que essa maioria “ganhou as eleições”.

O CDS precisa de ser uma oposição forte e credível, porque mais tarde ou mais cedo o povo terá de ser chamado a decidir sobre uma solução política que nunca foi votada – nós ganhámos as eleições, ganha as eleições quem tem mais votos e mais mandatos”, afirmou, contrariando uma ideia defendida pouco antes pelo ex-líder do CDS Ribeiro e Castro.

Dizendo não querer “falar muito do presente”, por considerar que se vivem em “águas turvas e desconhecidas”, Pires de Lima admitiu estar preocupado.

Quero aqui esperar que as coisas corram bem, eu sou português, quero que as minhas filhas cresçam num país de oportunidades, temo que se algo não funcionar amanhã a fatura será paga pelos mesmos de sempre, a classe média e os contribuintes”, disse.

Para Pires de Lima, o anterior executivo tem razão para dizer “missão cumprida” e destacou aqueles que foram os contributos dos democratas-cristãos.

“Que orgulho eu sentia quando jocosamente me qualificavam como a voz do setor privado no Conselho de Ministros – feliz a economia que tem quatro vozes do CDS a puxar pela economia”, disse, referindo-se a ele próprio, a Assunção Cristas no Ministério da Agricultura, Pedro Mota Soares no Emprego e Paulo Portas na coordenação.

Pires de Lima saudou, contudo, uma medida do atual do Governo, a anunciada descida do IVA da restauração para a taxa média, mas alertou o Governo que a imprevisibilidade fiscal e a falta de confiança das empresas são como ‘napalm’ para a economia.

“Sinto que fizemos um trabalho que merece respeito e há de ser lembrado pela nossa economia, vários ministros, o Paulo [Portas] e doutor Pedro Passos Coelho fizeram um grande trabalho pela nossa economia”, afirmou.

Confessando estar “cheio de saudades” do CDS, Pires de Lima disse que quebrou hoje um silêncio de meses e a que voltará no final do Congresso e lembrou que nos últimos 18 anos ocupou vários cargos no partido – dirigente, vice-presidente, porta-voz, deputado, presidente do Conselho Nacional – e que culminou com as funções de ministro da Economia.

“Que honra para mim foi servir Portugal no momento mais difícil, obrigado CDS por tudo o que me deste, obrigado CDS por terem apostado em mim, obrigado Paulo por tanto teres confiado em mim”, afirmou, elogiando por diversas vezes Paulo Portas, que neste Congresso se despede da liderança do partido, mas também a única candidata a suceder-lhe, Assunção Cristas.

“Querida Assunção, creio que a sua disponibilidade, ou melhor, a sua imensa vontade de nos liderar vai funcionar bem”, afirmou, vaticinado que a sua presidência será uma “liderança luminosa para o CDS e para Portugal”.