O Governo, entidades públicas e associações vão juntar-se para criar uma Comissão de Alerta Precoce, destinada a identificar situações que possam levar a conflitos em bairros problemáticos, nomeadamente o da Cova da Moura, no concelho da Amadora.

A decisão foi tomada na sequência de uma reunião que decorreu na quinta-feira mas cujas conclusões só este domingo foram divulgadas num comunicado do Ministério da Administração Interna.

Explicita-se no comunicado que a Comissão terá como objetivos «identificar as situações que possam estar na origem de conflitos com as autoridades e/ou intracomunitárias, alertar as entidades e autoridades competentes para essas situações e, através do diálogo e da cooperação, procurar as soluções mais adequadas para prevenir conflitos e para contribuir para a definição de soluções».

A reunião juntou os secretários de Estado Fernando Alexandre (adjunto da ministra da Administração Interna), João Almeida (da Administração Interna) e Pedro Lomba (adjunto do ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional), dirigentes de entidades como a PSP, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Alto Comissariado para as Migrações, além de representantes de diversas associações, como o Observatório Lusófono dos Direitos Humanos, Moinho da Juventude, a Federação das Organizações Cabo-verdianas e a Associação Congresso dos Quadros Cabo-Verdianos na Diáspora.

O encontro teve por objetivo debater, segundo o comunicado, a relação da polícia com a população da Cova da Moura e de outros bairros e a forma de garantir a segurança e tranquilidade nesses locais, com as associações a expressarem «a sua preocupação relativamente à forma como têm decorrido algumas intervenções da PSP na Cova da Moura».

A 5 de fevereiro último, a PSP deteve cinco pessoas acusando-as de tentarem invadir a esquadra da PSP de Alfragide, no concelho da Amadora, na sequência da detenção de um jovem na Cova da Moura. Os seis detidos foram transportados ao hospital na sequência de «ferimentos ligeiros» por terem «resistido à detenção».

Um elemento da associação SOS Racismo disse no entanto que os cinco tinham ido à esquadra para saberem da situação do que fora detido anteriormente. A Inspeção-Geral da Administração Interna informou três dias depois que ia investigar a atuação da PSP nos incidentes de dia 5.