A Comissão Europeia rejeitou a ideia de que a participação, esta sexta-feira, do presidente deste organismo e de sete comissários na conferência «Portugal rumo ao Crescimento» se tratou de uma deslocação partidária ou de qualquer campanha eleitoral.

Em comunicado, a porta-voz da Comissão Europeia, Pia Ahrenkilde Hansen, revelou «estranheza» pela «ideia veiculada em parte da comunicação social portuguesa» de que a conferência, realizada em Lisboa, «tenha tido uma natureza político-partidária».

Esta conferência «integra-se na divulgação, por parte da Comissão Europeia, da sua orientação quanto à execução dos fundos e programas europeus de que os países, nomeadamente da coesão, vão dispor no período de 2014 a 2020», lê-se na mensagem em que Pia Ahrenkilde Hansen manifesta «repúdio formal».

«Ao contrário do que foi dito - que a totalidade dos comissários era do PPE - só uma minoria, isto é, três, o era efetivamente. Os restantes quatro pertencem a outras famílias políticas, dois à família socialista e dois à Aliança dos Democratas e Liberais», adianta o comunicado.

A porta-voz da Comissão Europeia considera ser «completamente infundada a ideia de que se tratou de uma deslocação partidária ou inserida em qualquer campanha eleitoral».

Na sexta-feira, na conferência promovida em Lisboa pela Comissão Europeia, Durão Barroso centrou o seu discurso na importância da União Europeia na ajuda financeira e política a Portugal durante o período de ajustamento.

«Quando discutimos isto em Bruxelas, há países que se inclinam mais para a solidariedade e outros que gostam de insistir mais na responsabilidade, mas a UE só tem sucesso se ouvirmos as duas partes, precisamos de solidariedade e responsabilidade» quando se trata de lidar com as dificuldades financeiras dos Estados membros, declarou.

No discurso, Durão Barroso elencou um conjunto de projetos e programas da União Europeia, todos eles medidos em milhares de milhões de euros, «que Portugal tem de aproveitar porque não há margem para erro».

Para o cabeça de lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, esta conferência foi «um primeiro momento cénico de uma grande operação de branqueamento de uma política falhada».

«Creio que o que esta tarde [de sexta-feira] se tem vindo a fazer em Lisboa é um primeiro passo, um primeiro momento cénico de uma grande operação de branqueamento de uma política falhada», criticou Francisco Assis, em declarações aos jornalistas, no Porto.

Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou o evento como «um conclave» de troca de elogios entre Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho.

«Ainda hoje [sexta-feira] houve um conclave em que oraram Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho. E o que é que verificamos ali? Cavaco Silva a elogiar Durão Barroso pela obra feita. Durão Barroso a elogiar Passos Coelho e Passos Coelho a elogiar os dois, como se os portugueses estivessem profundamente satisfeitos», referiu.

Durão Barroso foi ainda criticado pelo coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo, para quem o presidente da Comissão Europeia se lembrou «agora de Portugal, seguramente porque há eleições para o Parlamento Europeia, que dizem respeito ao seu PDS e a ele próprio, pessoa interessada em eleições não para o Parlamento Europeu mas as presidenciais», disse.

Segundo João Semedo, «Durão Barroso mostrou-se neste dois dias um especialista em branqueamento» porque «tentou branquear o passado do PSD no BPN e vem agora tentar branquear o passado fascista do nosso país».