A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) pede aos partidos que “se deixem de jogos politico-partidários, porque o país não pode continuar a ser adiado”. Num debate, esta quinta-feira à noite, na TVI e na TVI24, os representantes da concertação social debateram o estado do país. António Saraiva, presidente da CIP diz que partidos “não podem continuar a adiar decisões”.
 

“Deixemo-nos destes jogos político-partidários, porque o país não pode continuar a ser adiado. As atividades económicas, os empresários, aqueles que lutam diariamente nas suas empresas para criar riqueza não podem continuar permanentemente neste clima de instabilidade. Não podem continuar a adiar decisões. Uma economia pequena como a nossa tem de manter uma reputação.”

 
A CGTP atacou Pedro Passos Coelho e as declarações da última noite sobre uma revisão da Constituição e Arménio Carlos diz que só confirmam “aquilo que sempre desejou, que era rever a constituição, de forma a perpetuar-se no poder, precisamente aquilo que o povo português, no dia 4 de outubro, rejeitou”.
 

“A Direita está em estado de choque porque perdeu o poder e precisava de mais quatro anos para fazer um conjunto de políticas suscetíveis de arrumar com aquilo que não conseguiu fazer em quatro anos face à resistência dos trabalhadores”, disse Arménio Carlos.

 
As declarações de Passos Coelho também mereceram críticas de Nobre dos Santos, secretário-geral adjunto da UGT: “Estas tiradas do senhor primeiro-ministro não são favoráveis a que as pessoas entendam o que se está a passar.”
 
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP sublinha que a única solução para Cavaco Silva é indigitar António Costa. “Não há estabilidade quando se apresenta como cenário alternativo um governo de gestão ou um governo de iniciativa presidencial, porque isso não cria estabilidade. São Governos transitórios”, considerou.
 
Opinião contrária tem João Machado, presidente da CAP – Agricultores de Portugal: “Achamos que a soma de três perdedores não dá um vencedor. Pode dar uma soma aritmética que possibilite governar, mas não são os que ganharam as eleições. É a primeira vez, em 40 anos, que o vencedor das eleições não consegue governar com o apoio dos outros partidos democráticos.”
 

“Somos a favor de uma solução que volte a perguntar aos portugueses se era mesmo isto que eles queriam. (…) O que é importante mesmo é saber se os votantes do Partido socialista se revêm neste acordo e eu julgo que não. E se alguns votantes até do PCP e do BE também se revêm neste acordo.”


Declarações que mereceram resposta irónica de Arménio Carlos: “Fazem-se tantas eleições tantas quantas permitam que a Direita volte ao poder.”