A Câmara de Lisboa pretende concentrar os seus serviços em três zonas da cidade: «O ideal é a concentração mais forte em três polos: Baixa, Campo Grande e Olivais», o que é «melhor do ponto de vista operacional e financeiro», argumentou, esta quarta-feira, o vice-presidente da autarquia. Isto a propósito da aprovação de uma proposta para alienação de terrenos municipais.

Na reunião pública extraordinária, a câmara (de maioria socialista) debateu uma proposta para vender, em hasta pública, um terreno localizado na Avenida 24 de Julho, em Alcântara, cuja alienação obrigará à transferência de um armazém e de 330 trabalhadores da autarquia, situação criticada pelos vereadores da oposição (PSD, CDS-PP e PCP).

Em resposta, Fernando Medina informou que o possível comprador do terreno demorará um ano a tomar posse, por causa da «recolocação de serviços e funcionários». O depósito deverá ser transferido para os Olivais e os trabalhadores ainda aguardam uma solução. «A expectativa é que aos custos diretos de uma deslocalização se subtraiam os benefícios de uma melhor gestão e integração das equipas», indicou.

A alienação deste terreno está também condicionada à aprovação, pela Assembleia Municipal, do Plano de Urbanização de Alcântara, o que Fernando Medina espera que possa acontecer «em breve», já que a junta de freguesia local concordou com o projeto, sustentou.

Foi também aprovada a alienação de um prédio na Rua do Jasmin, com os votos contra do CDS-PP e do PCP e os votos favoráveis do PSD, PS e movimento Cidadãos por Lisboa (eleitos nas listas do PS). O executivo aprovou ainda a colocação em hasta pública de nove frações autónomas e de dois prédios, com o voto contra do CDS-PP e a favor dos restantes.

Por sugestão do PCP, foi retirado um outro terreno da proposta, localizado na Rua Portugal Durão (Avenidas Novas), devido ao interesse de uma associação para ali construir um lar para idosos.

Fora da agenda, foi discutida a construção de uma subestação elétrica no Alto de São João, junto à Quinta do Lavrado, com o vereador comunista Carlos Moura a questionar os valores de exposição a efeitos radielétricos inscritos no estudo de impacto ambiental.

Já os maiores obstáculos apontados pelo vereador João Gonçalves Pereira foram a necessidade de alteração do Plano de Urbanização de Chelas e o respeito pela distância ao cemitério, o que foi negado pela maioria do executivo municipal.

O vereador do Urbanismo da autarquia, Manuel Salgado, sublinhou que esta subestação «já devia estar construída», recordando que a localização proposta é a «mais próxima do centro, mais longe da área residencial e em terrenos municipais».

O autarca apontou que a subestação de Sete Rios está encostada ao centro de saúde, o que recebeu o aval da Direção Geral de Saúde e não há registo de desvalorização do valor patrimonial dos edifícios na zona. 

Salgado notou ainda o «potencial de urbanização no Vale de Santo António, Olaias, num futuro próximo» pelo que haverá necessidade de se «alimentar a zona com o aumento dos consumos». «A subestação já devia estar feita para a viabilidade da energia elétrica na zona central da cidade». Esta última proposta foi aprovada com abstenção do PCP e votos favoráveis dos restantes partidos.