A direção regional de Bragança do PCP classificou esta terça-feira de«mentirosas e desavergonhadas» as declarações do primeiro-ministro sobre a falta de autorização da União Europeia para repor a ligação aérea entre Trás-os-Montes e Lisboa.

Os comunistas acusam o Governo de «mentir sem vergonha» de desconsiderar os transmontanos, reiterando que a Comissão Europeia não tem sobre o que se pronunciar depois de o executivo de Pedro Passos Coelho ter retirado, em setembro, uma proposta para o novo regime de financiamento.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou, no sábado, em Bragança, que o dossier da carreira aérea «tem sido muito difícil» e alegou que o Governo já apresentou «várias soluções», mas ainda não conseguiu autorização da União Europeia para retomar os voos.

A direção regional de Bragança do PCP considera, em comunicado enviado à Lusa, «estas declarações mentirosas e desavergonhadas».

«Mais ainda quando proferidas em "nossa casa"», acrescentam os comunistas, referindo que «ainda recentemente foi tornada pública a resposta à pergunta colocada pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu sobre o estado em que se encontrava a resolução do problema».

O PCP lembra que «a resposta do comissário europeu, Joaquin Almunia, foi clara: a Comissão foi notificada do regime proposto em 26 de março de 2013, no entanto, essa notificação acabou por ser retirada em 30 de setembro de 2013. Nestes termos, não será adotada qualquer decisão no que respeita às referidas ligações aéreas».

«Tal resposta não foi contrariada nem desmentida», sublinha o PCP, acusando o Governo de «continuar a agir nas costas dos transmontanos e esconder as verdadeiras intenções quanto ao destino da ligação aérea».

A direção regional do partido critica ainda o Governo PSD/CDS-PP por afirmar que «tem apresentado várias soluções, que no essencial ninguém conhece».

Os comunistas prometem empenho da reposição deste serviço e apelo à luta dos transmontanos, nomeadamente através da participação na ação convocada pela União de Sindicatos de Bragança para 1 de fevereiro para mostrar o descontentamento com as políticas do Governo.

As ligações aéreas entre Bragança, Vila Real e Lisboa vão estar em debate, na sexta-feira, na Assembleia da República, por iniciativa do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), que apresentaram um projeto de resolução a recomendar ao Governo a reposição «com caráter de urgência» dos voos.

O Bloco de Esquerda anunciou ter tomado uma iniciativa parlamentar idêntica.

Há mais de um ano que o Governo suspendeu os voos entre Bragança, Vila Real e Lisboa com o argumento de que Bruxelas não aceitava o modelo que estava a financiar há 15 anos com uma compensação anual de 2,5 milhões de euros diretamente às operadoras.