O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu hoje a construção de uma sociedade de diálogo aberto e permanente entre religiões e mundividências em Portugal, que seja um exemplo para o resto do mundo.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP deixou esta mensagem durante uma cerimónia comemorativa dos 45 anos da Comunidade Islâmica de Lisboa, realizada na Mesquita de Lisboa.

«A sociedade portuguesa é, e tem de continuar a ser, uma sociedade da tolerância, e a comunidade islâmica em Portugal tem sido um importante interlocutor neste objetivo comum», considerou Pedro Passos Coelho, defendendo, contudo, que é preciso «ir mais longe».

«As tradições históricas e culturais do nosso país, a atitude aberta e descomplexada dos portugueses dão-nos as condições para irmos além da simples tolerância. Permitem-nos construir uma sociedade de diálogo aberto e permanente entre as diferentes religiões e as diversas mundividências. Permitem-nos construir uma casa comum para todas as fés e que possa ser um exemplo para o resto do mundo», acrescentou o primeiro-ministro.

No seu discurso, Passos Coelho apelou a um «pluralismo aberto à comunicação e ao diálogo, aberto à multiplicação de laços cívicos entre todos, aberto ao respeito pelas regras e valores comuns», e rejeitou a ideia de que «este é um apelo inútil a uma tarefa impossível» e de que o mundo está condenado ao chamado "«choque de civilizações».

«Trata-se de um ceticismo da desesperança, de um ceticismo da desistência quanto às possibilidades do espírito humano», disse.

O primeiro-ministro insistiu na necessidade de «um diálogo construtivo e permanente» e prestou homenagem a Jorge Sampaio - que assistiu a esta cerimónia - pela forma como desempenhou as funções de Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações: «Ele levou para os seus trabalhos o traço português de pôr culturas diversas em contacto mais estreito e de fazer pontes entre diferenças, devotando particular atenção ao diálogo entre as sociedades muçulmanas e as ocidentais».

O cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, foi outro dos convidados que marcaram presença nesta cerimónia comemorativa dos 45 anos da Comunidade Islâmica de Lisboa.

No início da sua intervenção, Passos Coelho felicitou e agradeceu «o contributo cívico e solidário que as organizações religiosas, ou de inspiração religiosa, têm dado em Portugal nestes anos de crise» que, sustentou, começam agora a ser ultrapassados. «Estou certo que dou voz a todos os Portugueses na transmissão destes agradecimentos».

Segundo o primeiro-ministro, essas organizações «estiveram - e continuarão a estar - em muitos momentos e em muitos lugares onde o Estado nunca poderia chegar para ajudar os desamparados e os mais vulneráveis» e «deram-lhes - e continuarão a dar-lhes - conforto e assistência no momento certo com generosidade e solidariedade».

À saída da Mesquita de Lisboa, Psssos Coelho ecusou-se a responder a perguntas dos jornalistas.