Cavaco Silva vai falar ao país esta quinta-feira às 20:00.

A comunicação sobre a formação do novo Governo acontece depois de o Presidente da República ter concluído a audição aos partidos com assento parlamentar.

Na terça-feira, o líder do PSD foi o primeiro a ser recebido por Cavaco Silva e, no final do encontro, disse aos jornalistas ter a expetativa de que venha a ser nomeado um Governo que tenha na sua base política os partidos da coligação Portugal à Frente, sublinhando que "é indispensável que haja celeridade na forma como o processo se vai desenrolar".

Mais tarde, o presidente do CDS-PP corroborou os sociais-democratas, considerando "evidente" que o passo seguinte no processo de formação do Governo seja a indigitação de Passos Coelho. Paulo Portas deixou ainda críticas ao secretário-geral do PS, lamentando que para António Costa o voto do povo seja "um detalhe".

Contrapondo PSD e CDS-PP, o líder socialista considerou que estão criadas condições para que os socialistas possam formar um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República e que assegure condições de estabilidade.

Na mesma linha, a porta-voz do BE assegurou que estavam criadas condições para "uma alternativa estável na Assembleia da República" sem PSD ou CDS-PP no Governo e garantiu que as divergências com o PS foram ultrapassadas.

Já na quarta-feira, o primeiro partido a ser recebido foi o PCP, com o secretário-geral comunista a considerar que a indigitação de Passos Coelho será "uma perda de tempo". Jerónimo de Sousa sublinhou ainda que que existe uma maioria de deputados que permite uma outra solução, "tanto mais duradoura conforme defender os interesses nacionais".

O partido ecologista Os Verdes foi a penúltima força política a ser ouvida pelo chefe de Estado, com a dirigente Manuela Cunha a defender que o PS tem condições para promover "uma governação sustentável".

A última audiência foi com o PAN, o único partido que não excluiu nenhuma alternativa e se mostrou disponível para dialogar com todas as forças políticas.

Dois dias depois das eleições, a 6 de outubro, o Presidente da República fez também uma comunicação ao país, onde anunciou que tinha encarregado o líder do PSD de desenvolver diligências para avaliar as possibilidades da constituição de uma "solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do país".

Na comunicação, Cavaco Silva reiterou ainda que não se substituiria aos partidos no processo de formação do Governo, mas sublinhou que este "é o tempo do compromisso", onde a cultura da negociação deverá estar sempre presente.

A Constituição da República prevê que o primeiro-ministro é "nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais".

Nas eleições de 4 de outubro, a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) perdeu a maioria absoluta e obteve 107 mandatos (89 do PSD e 18 do CDS-PP). O PS elegeu 86 deputados, o BE 19, a CDU 17 (dois do PEV e 15 do PCP) e o PAN elegeu um deputado.