O eurodeputado socialista Francisco Assis decidiu  cancelar um almoço de militantes que se opõem a um Governo de "frente de esquerda", no sábado, na Mealhada, por coincidir com a realização da Comissão Nacional do PS.

"Logo que tive conhecimento da realização da Comissão Nacional do PS, no sábado [em Lisboa, pelas 15:30], decidi imediatamente cancelar o encontro", disse o eurodeputado, citado pela Agência Lusa.


Na sequência do último congresso nacional do PS, em novembro do ano passado, Francisco Assis abandonou todos os órgãos partidários.

Caso não haja uma abertura especial à participação nas duas reuniões de deputados e eurodeputados do PS, Francisco Assis deverá estar ausente tanto da Comissão Nacional de sábado, como da Comissão Política de domingo.

Francisco Assis disse que decidiu cancelar o encontro da Mealhada "em nome dos superiores interesses do PS e da discussão nos órgãos do partido".

"Obviamente que a Comissão Nacional do PS, até pelo tema em debate, teria de se sobrepor ao nosso encontro [da Mealhada]. Sempre disse que era desejável debater na Comissão Nacional do PS a atuação do partido após as últimas eleições legislativas".


Francisco Assis fez ainda questão de referir que alguns dos participantes no encontro da Mealhada são também membros da Comissão Nacional do PS, o que reforçou a sua decisão de cancelar o almoço da Bairrada.

Neste encontro, o ex-líder parlamentar do PS preparava-se para lançar uma corrente interno de militantes e simpatizantes socialistas que discordam de uma viragem à esquerda deste partido, principalmente, através da celebração de um acordo de Governo com o PCP e o Bloco de Esquerda.

Este setor do PS, pelo contrário, entende que os socialistas, na sequência dos resultados das últimas eleições legislativas, deveriam ser "oposição responsável" a um Governo PSD/CDS.
 

Reuniões no fim de semana para avaliar negociações


O presidente do PS convocou esta quarta-feira, para sábado, uma reunião da Comissão Nacional do seu partido para apreciar os resultados das diligências desenvolvidas com o Bloco de Esquerda e PCP para a formação de um Governo.
 
Além da reunião da Comissão Nacional do PS, o órgão máximo partidário entre congressos, a direção dos socialistas convocou também para domingo à noite uma reunião da Comissão Política.

A convocatória assinada por Carlos César em relação à Comissão Nacional do PS é feita com um prazo de antecedência mais curto do que o habitual, sendo invocado para o efeito, no plano estatutário, o caráter excecional do atual momento político e a necessidade de envolver "ao mais alto nível" os órgãos do partido.

A reunião da Comissão Nacional do PS realizar-se-á em Lisboa, no sábado, pelas 15:30, e tem como ponto único da ordem de trabalhos a análise da situação política e a apreciação das diligências desenvolvidas com vista à formação de governo na sequência das eleições legislativas.

Já a reunião da Comissão Política Nacional do PS está prevista para as 21:30 de domingo, na sede nacional deste partido, em Lisboa.

O ponto único da ordem de trabalhos, segundo fonte socialista, é deliberadamente genérico, já que, neste momento, não é possível antever-se se, no sábado, já haverá um acordo fechado entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP, tendo em vista a formação de um Governo alternativo ao do executivo PSD/CDS-PP.

Na terça-feira, perante os jornalistas, o presidente do PS deixou um aviso de que esse acordo terá necessariamente de estar "aclarado" antes do início do debate do programa do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, que se inicia na segunda-feira, na Assembleia da República.
"Enquanto não existir um acordo firmado com o PCP e Bloco de Esquerda, não vale a pena valorar o estado das negociações como estando a 90 ou a 40 por cento".
 
"Quando houver esse acordo, ele deverá ser comunicado e é importante que esse acordo seja aclarado, evidentemente, antes da discussão do programa do Governo, porque é esse o compromisso do PS. Nós só nos constituiremos como uma força política que contribui para o derrube do Governo PSD/CDS se formos simultaneamente portadores de uma alternativa responsável, estável, com sentido durador e que proporcione aos portugueses um sentimento de tranquilidade e de confiança", afirmou.

O presidente do Grupo Parlamentar insistiu neste ponto: "Não votaremos nem apresentaremos nenhuma moção de rejeição se não tivermos em simultâneo a garantia de que temos uma alternativa acordada e consolidada com os restantes partidos políticos".