O socialista Daniel Adrião afirmou esta sexta-feira à agência Lusa que já se encontra em condições de apresentar uma lista para a Comissão Nacional do PS alternativa à da direção liderada por António Costa.

A Comissão Nacional do PS, o órgão máximo dos socialistas entre congressos, é eleita no domingo por voto secreto dos delegados, sendo constituída por 251 elementos efetivos.

Daniel Adrião, que obteve há duas semanas 2,7% dos votos nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS e que elegeu diretamente 23 delegados ao congresso, disse que juntou já cerca de quatro centenas de militantes socialistas para poder concorrer autonomamente à Comissão Nacional, à Comissão Nacional de Jurisdição e à Comissão Económica e Financeira.

Estamos em condições de apresentar listas para os órgãos nacionais do PS, mas não fechamos a porta ao diálogo", referiu o primeiro subscritor da moção de estratégia "Resgatar a democracia", que defende a generalização de eleições primárias neste partido para a escolha de candidatos a deputados, presidentes de Câmara e para o cargo de secretário-geral.

Sobre os motivos que o levam a apresentar listas alternativas para os órgãos nacionais do PS, Daniel Adrião defendeu que essa "é uma tradição do partido" e que só nos últimos dois congressos (com António Costa e António José Seguro) tal não aconteceu.

Mesmo quando [em 1988] Vítor Constâncio foi eleito secretário-geral do PS com 95% dos votos, houve listas alternativas", argumentou.

Daniel Adrião adiantou que, além dos 23 delegados que elegeu diretamente para este congresso, tem mais 17 que, na sequência de acordos de caráter local, acabaram por ser eleitos em listas encabeçadas por apoiantes de António Costa.