O dirigente socialista Álvaro Beleza defendeu este domingo que o programa eleitoral do PS deverá prever a extensão da exigência de maioria qualificada de aprovação a privatizações de setores estratégicos e reformas no sistema de justiça.

Estas posições, de acordo com fonte socialista, foram defendidas pelo ex-membro da direção liderada por António José Seguro, perante a Comissão Nacional do PS, que está a discutir o programa eleitoral do partido.

No projeto de programa eleitoral do PS, prevê-se que os projetos de grandes obras públicas a realizar em Portugal tenham de ter uma maioria de dois terços no parlamento, sustentando-se para o efeito que se tratam de compromissos financeiros assumidos para várias legislaturas e vários governos.

Hoje, perante o órgão máximo dos socialistas entre congressos, Álvaro Beleza defendeu, por sua vez, que também as privatizações de setores estruturantes da economia portuguesa não podem estar sujeitas à vontade de uma maioria circunstancial por serem na prática irreversíveis.

A mesma regra de dois terços aplicou de resto este dirigente socialista a mudanças de fundo a operar ao nível do regime, designadamente no setor da justiça.

Menos consensual, segundo membros da Comissão Nacional do PS, foi a ideia de Álvaro Beleza de prolongar a discussão pública do programa eleitoral até ao início de setembro, altura em que, alegou, deveria voltar a realizar-se uma convenção já com candidatos a deputados.

Ou seja, o ex-membro do Secretariado Nacional do PS defendeu uma espécie de primárias para a aprovação definitiva do programa eleitoral.

À entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, o sindicalista socialista José Abraão voltou a fazer alguns reparos a pontos do projeto de programa eleitoral.

Apesar de manifestar concordância com a estratégia de "aumento do rendimento disponível das famílias", disse esperar que a redução da taxa social única (TSU) "não se faça à custa da redução das pensões a prazo".

Na questão da via conciliatória para a cessação de contratos de trabalho, José Abraão advertiu que numa negociação a parte do trabalhador "é sempre a mais frágil", cita a Lusa.