A eurodeputada Elisa Ferreira acusou esta terça-feira o vice-presidente da Comissão Europeia designado para o Emprego e Crescimento, o antigo primeiro-ministro finlandês Jyrki Katainen, de ter sido um apologista da austeridade, com exigências suplementares a países como Portugal.

Durante a audição no Parlamento Europeu a Katainen, que será um dos elementos-chave do executivo de Jean-Claude Jucker, ocupando uma vice-presidência, a deputada do PS coordenadora dos Socialistas Europeus para os Assuntos Económicos desferiu dos ataques mais cerrados ao comissário designado, ao recordar as posições assumidas por este, enquanto ministro das Finanças e chefe de governo da Finlândia, relativamente aos Estados-membros que pediram assistência.

«Tinha uma postura moralista, de que os pecadores deviam pagar pelos seus pecados. Foi o primeiro a pedir (garantias) colaterais aos Estados-membros em dificuldades, mesmo a Espanha, como pré-condição para qualquer empréstimo. Impôs um endurecimento da austeridade já por si dura prevista para Portugal, em troca da assistência financeira», acusou Elisa Ferreira.

Depois de ter sido vago na resposta à eurodeputada portuguesa, deixando-a visivelmente insatisfeita, Katainen, mais à frente na audição, e em resposta a um eurodeputado espanhol do Podemos, que lhe dirigiu acusações do mesmo teor, fez questão de «clarificar» que foi a favor dos dois pacotes de ajuda à Grécia, e, enquanto ministro das Finanças, esteve a «convencer o povo finlandês, antes de eleições gerais, a aceitar a assistência a Portugal», o que era «altamente impopular».

«Enquanto primeiro-ministro e ministro das Finanças, eu garanti que o meu país participava sempre nesses programas» de resgate, disse, e, por mais de uma vez, defendeu que é preferível agora «deixar de lembrar o que aconteceu no passado» e pensar no futuro.

Também o eurodeputado comunista português Miguel Viegas interveio na audição, ironizando com a referência feita por Katainen na sua intervenção inicial ao facto de se ter demitido do cargo de primeiro-ministro para abraçar o projeto europeu.

«Fiquei comovido com a sua intervenção. Nós em Portugal tivemos um caso semelhante, com o primeiro-ministro na altura, Durão Barroso, a preferir também fugir para a Comissão, deixando Portugal em recessão», afirmou.