Durão Barroso revelou esta quarta-feira que quando terminar o mandato na comissão europeia, no final de outubro, vai voltar às leituras, mas não só. Quer «escrever», pelo que deverá começar a preparar as suas memórias nessa altura.

«Quando sair da Comissão não só vou ler, mas vou escrever também», adiantou, citado pela Lusa.

Durão Barroso falava enquanto experimentava, em Bruxelas, uma cadeira personalizada que lhe foi oferecida, no âmbito do projeto Art On Chairs, desenvolvido em Paredes para valorizar o mobiliário da região. Depois de o presidente da Câmara de Paredes, Celso Ferreira, tter sugerido que podia usar a cadeira para escrever as suas memórias, respondeu: «Sou capaz de começar».

A cadeira do presidente da Comissão Europeia foi desenvolvida pelo designer Paulo Parra. É uma cadeira-biblioteca criada a pensar no objeto de eleição de Barroso: o livro. Em baixo do assento, a cadeira tem umas abas que permitem guardar livros.

E há ainda outra, desmontável, que poderá ser usada em viagens. Aí Durão Barroso fez um trocadilho, questionando se aguentaria com o seu peso: «O meu peso aumenta, embora o [peso] político diminua», justificou, provocando sorrisos na sala.

Na semana passada, Barroso descartou a hipótese de concorrer às próximas eleições presidenciais, pelo que terá mais tempo para se dedicar ao que mais gosta de fazer nos tempos livres.

«Não vou concorrer. Há quase trinta anos que estou na política, só com uma pequena interrupção. Comecei como secretário de Estado quando tinha 29 anos. Estive no Governo em Portugal como ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro. Fui líder da oposição e agora, há dez anos que sou presidente da Comissão Europeia. Penso que preciso, pelo menos mereço, uma pausa da política e estou muito feliz», disse a 9 de setembro, numa entrevista à BBC.

Em novembro, deverá entrar em funções a equipa liderada por Jean-Claude Juncker, o novo presidente da CE.