O ainda presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considera que deixa o cargo com a União Europeia mais forte e mais bem preparada para fazer face a novas crises.

Durão Barroso fez esta terça-feira o balanço do seu segundo mandato na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, naquele que foi um dos últimos discursos enquanto chefe do executivo comunitário e que terminou com Barroso precisamente a despedir-se em várias línguas: «Auf Wiedersehen, goodbye, au revoir, adeus».

Segundo Barroso, quando a crise eclodiu, a União Europeia e a zona euro não tinham instrumentos para ajudar os países, mas conseguiram criá-los entretanto, o que demonstra a capacidade de atuar, apesar do momento conturbado.

«Criámos um novo sistema de governação, foram dados poderes sem precedentes às instituições. A Comissão tem hoje mais poderes em termos governação do que antes, o Banco Central Europeu tem a supervisão dos bancos da zona euro», disse.

Para Durão Barroso, esses progressos mostram como a Europa se soube adaptar e, garantiu, hoje está mais bem preparada «do que antes para fazer face a crises». Aliás, confirmou, um dos trunfos foi ter conseguido fugir ao presságio de analistas que antecipavam a desintegração da Europa e a implosão da moeda única.

«Claro que ainda há muitas dificuldades, sim, mas não se esqueçam onde estivemos. Estivemos perto da bancarrota em alguns Estados-membros», disse Barroso perante os eurodeputados, num discurso que evitou temas como o problema do desemprego.

Sobre os desafios que agora se colocam, Barroso falou do crescimento, considerando que para isso é necessário reformas estruturais «mais ambiciosas» e investimento público e privado. Mas também disse que já antes da crise se falava em problemas de crescimento e de competitividade.

Neste discurso, Barroso voltou ainda 10 anos atrás para lembrar que, quando chegou pela primeira vez à Comissão Europeia, a União Europeia tinha 15 Estados-membros e que hoje são 28, o que considerou que mostra a «resiliência e força» do projeto europeu.

O ainda presidente da Comissão Europeia elegeu também o recebimento do Prémio Nobel da Paz em nome da União Europeia – juntamente com os presidentes do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu – como o momento mais emocionante destes 10 anos.

A Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker, que substituirá a «Comissão Barroso», deverá assumir funções a 1 de novembro. Esta quarta-feira, os eurodeputados votam o novo colégio de comissários.