A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, admitiu esta quinta-feira ter recebido do ex-diretor-geral do Tesouro e Finanças Pedro Felício emails com informação sobre swap, mas que esta era «insuficiente» para conhecer a «total dimensão do problema».

«Tenho memória [da receção dos emails]. Continuo a dizer que não menti», afirmou Maria Luís Albuquerque, em entrevista à SIC, no dia em que a Lusa noticiou que Pedro Felício enviou à agora ministra das Finanças, em junho e julho de 2011, emails que já continham informação sobre swap e indicavam uma perda potencial de 1,5 mil milhões de euros.

Reiterando que a informação sobre os swap não constava na pasta de transição que recebeu do anterior Governo, Maria Luís Albuquerque rejeitou ter desvalorizado o problema, defendendo que só foram tomadas medidas em 2013, porque antes tinha que «ser conhecido no seu conjunto».

«Tínhamos conhecimento de 146 ou 147 operações e acabaram por ser analisadas mais de 250, porque foi preciso ir à procura do histórico», exemplificou.

«Com certeza que não andei a empurrar com a barriga», garantiu a ministra, adiantando que o Governo começou a tratar do problema ¿ainda em 2011¿, mas que só em janeiro deste ano teve acesso ao relatório do IGCP-Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, que permitiu «tomar decisões».

Em entrevista à SIC, Maria Luís Albuquerque realçou a recomendação do IGCP para «evitar decisões casuísticas antes de conhecer o todo, que poderia impedir encontrar a melhor solução».

O PCP requereu hoje uma nova audição, com caráter de urgência, da ministra de Estado e das Finanças, na comissão parlamentar de inquérito aos contratos swap para esclarecer «novos dados e informações obtidas».

Maria Luís Albuquerque disse que regressará «à comissão de inquérito pelo menos mais uma vez para prestar esclarecimentos», reiterando que mantém «inteiramente» o que disse na primeira audição, a 25 de junho.

Albuquerque afirmou então que na pasta de transição nada constava sobre o tema e que «não havia qualquer documentação, nem nada de novo a transmitir, porque a informação tinha sido solicitada e apenas isso».

Depois de o anterior ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, ter garantido à Lusa ter informado o seu sucessor, Vítor Gaspar, de "toda a informação necessária" sobre os contratos swap envolvendo empresas públicas, o Governo admitiu que a questão dos contratos swap «foi abordada na reunião de transição» entre ambos, a 18 de junho de 2011, mas alegou que a informação disponibilizada foi insuficiente.

«Mais uma vez não havia qualquer documentação, nem nada de novo a transmitir, porque a informação tinha sido solicitada e apenas isso», disse Albuquerque a 1 de julho, acrescentando que «aquilo que existia era um pedido de informação às empresas feito através da DGTF», Direção Geral do Tesouro e Finanças, e que deveria passar a ser incluída nos relatórios periódicos desta entidade.

Maria Luís Albuquerque reiterou que o que se sabia em agosto de 2011 resultava do boletim da DGTF sobre o setor empresarial do Estado relativo ao segundo trimestre daquele ano e tratava-se apenas de «informação numérica», mas não sobre quaisquer problemas nos contratos, a sua natureza, caraterísticas ou opções de vencimento na antecipado, na recolha da Lusa.

Nos emails trocados entre o ex-diretor-geral do Tesouro e Maria Luís Albuquerque, a que a Agência Lusa teve hoje acesso, no verão de 2011 é feito em primeiro lugar um ponto de situação sobre o valor a preço de mercado dos contratos 'swap' nas principais empresas (Metro de Lisboa, Metro do Porto, CP e Refer).

A troca de emails a que a Lusa teve acesso diz respeito aos dias 29 de junho, 18 de julho, 26 de julho e 01 de agosto.