O PSD desafiou o ministro das Finanças, Mário Centeno, a "emendar a mão" e pedir uma auditoria "externa e independente" à Caixa Geral de Depósitos e não uma desenvolvida internamente, como também contestou o presidente do banco.

O presidente da CGD, António Domingues, foi esta terça-feira ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao banco público e "também ele acha que esta auditoria devia ser promovida não pela CGD mas por uma autoridade externa e independente", vincou o deputado do PSD, Hugo Soares, que falava aos jornalistas no final da audição desta tarde, que durou cerca de quatro horas.

"O PSD não quer crer que aquele fogacho do Conselho de Ministros tenha sido um logro promovido pelo ministro das Finanças para que a maioria de esquerda neste parlamento tivesse chumbado o projeto de resolução que aqui apresentámos", vincou o coordenador do PSD na comissão.

Em causa está o chumbo da esquerda parlamentar de um projeto de resolução do PSD pedindo uma auditoria externa e independente, e uma nota de Conselho de Ministros indicando que seria pedida à administração da Caixa uma auditoria ao passado do banco.

Tal auditoria, todavia, não foi ainda pedida pelo acionista, revelou o presidente da Caixa na comissão de inquérito, informação descrita pelo PSD como de "maior relevo".

"Lançamos o desafio ao ministro das Finanças para emendar a mão", acrescentou Hugo Soares.

Visto haver uma "demora" nas indicações à CGD para uma auditoria, o PSD pretende portanto que se "possa cumprir a vontade do presidente da CGD e seja promovida uma auditoria externa e independente, e não uma caseirinha".

Questionado pelos jornalistas, o deputado do PS, João Paulo Correia, disse que "o mais importante é que se encerre as negociações para fechar o plano de recapitalização e o plano de reestruturação", considerou, insistindo que "concluir com sucesso este processo é a prioridade" da nova equipa de gestão da CGD.

 

PS lamenta “ataque” de PSD e CDS contra banco público

António Domingues foi ouvido na comissão de inquérito sobre o banco público, audição imposta potestativamente no começo do mês pelo CDS-PP.

A audição de António Domingues era a única prevista nesta fase na comissão de inquérito, numa altura em que os deputados aguardam ainda a chegada de documentos de várias entidades e em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a existência de um inquérito no qual "se investigam factos relacionados com a CGD", sem precisar qual o período abrangido.

O deputado socialista, João Paulo Correia, lamentou que o PSD e o CDS-PP tenham insistido na audição do novo presidente da CGD, António Domingues, considerando que foi mais um "ataque" contra o banco estatal.

"Lamentamos que esta audição tenha servido como uma arma de ataque do PSD e do CDS contra a Caixa Geral de Depósitos (CGD)", afirmou aos jornalistas o parlamentar, à margem dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao banco público.

Segundo João Paulo Correia, o objetivo dos partidos de direita é fragilizar a CGD de modo a preparar terreno para a sua privatização.

De resto, o socialista considerou que a audição de hoje "provou que o Governo e a nova administração da CGD estão empenhados no sucesso do processo de recapitalização".

E realçou: "Tal como o PS e o Governo, também António Domingues considerou hoje aqui [na Assembleia da República] que a aprovação da recapitalização do banco estatal por Bruxelas, sem contar como ajuda de Estado, foi uma vitória".

Agora, o objetivo é que "a recapitalização possa ocorrer o mais depressa possível para que a CGD possa voltar no futuro aos lucros e [pela via dos dividendos] compensar o esforço que os portugueses vão fazer nos próximos meses", assinalou, referindo-se à injeção de capital público de até 2,7 mil milhões de euros que está a ser preparada.