O relator da comissão de inquérito ao BES será o deputado do PSD Pedro Manuel Saraiva, por imposição da maioria parlamentar PSD e CDS-PP, com abstenção do PS e votos contra do PCP e BE.

Carlos Abreu Amorim tomou a palavra para anunciar isso mesmo: «Estou incumbido de propor deputado do PSD, Pedro Saraiva». A nota de imprensa a dar conta do relator chegou até antes das votações - e com uma gralha. Por lapso, refere-se que Pedro Saraiva é do PS e não do PSD. Na hora dos votos, tudo se confirmou, sem confusões de cores políticas. 
 

Mariana Mortágua discordou politicamente da nomeação do deputado do PSD: « Discordamos que cargo de relator caiba à maioria em mais uma comissão de inquérito. Eu própria e o BE manifestamos disponibilidade. Nunca houve um caso em que não coubesse à maioria. Mas com esta indicação sabemos que a nossa disponibilidade fica automaticamente excluída».

Miguel Tiago, do PCP, indicou o seu próprio nome, mas sem efeito. «É um mau prenúncio que comissão de inquérito que já está constituída maioria por força da sua composição se possa colocar hipótese de que as conclusões e relatório possa ficar» entre esses partidos. «Esta comissão de inquérito não apurará factos que não tem diretamente a ver com exercício de participações públicas», considerou. Carlos Abreu Amorim retorquiu: «A nomeação é um bom augúrio e não um mau presságio».

Já o PS, pela voz de Pedro Nuno Santos disse que «seria com agrado que veríamos a deputada Mariana Mortágua ou Miguel Tiago ou o PS» a serem relatores. «Mas é a maioria dos deputados presentes que elegem, segundo as regras. Podemos repensar as regras, já temos dito várias vezes», considerou.

O PS afirma que não parte com «nenhuma desconfiança» para esta comissão, depositando «essa expectativa, de que o relatório vá corresponder à verdade e às conclusões». E disse que nada tem contra o relator Pedro Saraiva. O mesmo quis frisar Mariana Mortágua: «Não está aqui mesmo em causa a pessoa de Pedro Saraiva. É uma opção política. Daria mais garantias » se fossem outros partidos, considerou.

Desejando «votos de bom trabalho» e alertando que «não será fácil», Miguel Tiago indicou a Pedro Saraiva que «poderá contar com todos os contributos possíveis» do PCP. E fez uma consideração final:
 

«Neste momento, a forma de o PSD e o CDS mostrarem total disponibilidade seria exatamente mostrarem que não havia necessidade de ser um relator indicado pelas duas forças», sobretudo «numa matéria de comissão de inquérito que incide sobre atos desse mesmo governo», argumentou, esperando que continue a verificar-se a «total disponibilidade do PSD», até aqui, no acesso a documentos e afins.


Do CDS-PP, Cecília Meireles disse que o seu partido «apoia a nomeação, ou melhor, a candidatura», esclareceu. E acrescentou que todos os deputados estão nesta comissão de inquérito «num contexto político e ideológico». «O máximo que podemos pedir é que – e ninguém aqui é do Governo – prevaleça a regra da Democracia».



Depois das votações, o relator, Pedro Saraiva agradeceu, interpretando a nomeação com uma «leitura de acréscimo de obrigações».
 

«Gostaria de não ser impedido de colocar questões ao longo dos trabalhos. Prometo fazer tudo ao meu alcance para estar à altura deste desafio. Como sempre procurei fazer na vida, com muito trabalho e com alguma inspiração. Sou um beirão com um pensamento próprio, de isenção e responsabilidade», afirmou, para concluir depois que «os factos que iremos apurar são apartidários. Conto com a ajuda de todos».




Quem é Pedro Saraiva?



Deputado do PSD desde 2009, tem 50 anos. Já foi coordenador da comissão de Economia e Obras Públicas entre 2011 e 2012, onde é membro atual, para além desta comissão de inquérito ao BES.



É licenciado em Engenharia Química pela Universidade de Coimbra. Frequentou o doutoramento, na mesma área, no Massachusetts Institute of Tecnology, nos EUA.



É professor universitários desde 1984 na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, onde é professor catedrático desde 2010. 



OS PRINCIPAIS TÓPICOS DAS AUDIÇÕES NA COMISSÃO DE INQUÉRITO AO BES