O coordenador do PS na comissão de inquérito ao Banif acusou, esta quinta-feira o PSD de criar um "incidente" na primeira reunião dos deputados em torno de um pedido que consistia numa "auto menorização" do trabalho dos parlamentares.

João Galamba, que falava aos jornalistas no final da reunião da comissão de inquérito, referia-se ao chumbo dos partidos da esquerda à proposta social-democrata pedindo uma auditoria externa ao Banif.

"O PSD decidiu começar esta CI com um incidente", disse o socialista, para quem o avançar de tal proposta consistiria numa "auto menorização" do trabalho dos parlamentares e da comissão e seria também um "precedente grave".

 

"Precedente grave e absolutamente inédito era uma comissão de inquérito requerer uma auditoria externa que na prática substitui o trabalho dos deputados e da comissão de inquérito", vincou João Galamba.

A prova de que este "não era um pedido sério", continuou o também dirigente socialista, é que a auditoria do PSD "pode ser a qualquer coisa, feito por qualquer pessoa", sem um objeto definido.

Antes, também aos jornalistas, o coordenador "laranja" na comissão, Carlos Abreu Amorim, declarou que a comissão de inquérito sobre o Banif "não começou bem", com o chumbo ao texto social-democrata pedindo uma auditoria externa ao banco, e lamentou a falta de diálogo dos partidos à esquerda em torno da proposta.

"Esta primeira reunião da comissão de inquérito ao Banif não correu da maneira que esperávamos", sinalizou.

Os deputados do PS, Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) chumbaram o requerimento do PSD - que mereceu voto favorável do CDS-PP - a uma auditoria externa e independente à gestão do banco, e requisitaram o apoio de quadros da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) "para coadjuvar, quando necessário, os trabalhos da comissão em domínios de natureza financeira".

Luís Marques Guedes, deputado do PSD, sinalizou que "era o que faltava" se os técnicos da UTAO fossem nesta fase de apreciação do Orçamento do Estado "desviados" desse seu "objeto fundamental" para a comissão de inquérito, o que foi acordado pelos partidos da maioria parlamentar de esquerda.

A comissão de inquérito à venda do Banif tomou posse no começo de fevereiro e hoje deu-se uma reunião de caráter técnico, onde foi votado o projeto de regulamento da comissão e discutida a metodologia dos trabalhos.

O "avaliar" do "comportamento da autoridade de supervisão financeira, o Banco de Portugal, sobre o caso Banif, é um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

O processo de venda, em dezembro de 2015, é também mote evidente dos trabalhos dos vários partidos, e procurar-se-á fazer "a avaliação de riscos e alternativas" da decisão, "no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro".