A comissão de inquérito ao caso Camarate marcou, hoje, para a próxima terça-feira uma audição ao comandante Alpoim Calvão, ex-administrador da Fábrica de Explosivos de Trafaria e administrador da companhia de pólvoras e munições de Barcarena, para averiguar ligações da venda de armas ao Irão à tragédia de Camarate, avança a agência Lusa.

Em julho, um antigo responsável da fábrica Explosivos da Trafaria, Carlos Rolo, disse na comissão de inquérito que a empresa exportou material para o Irão na década de 80, e manifestou a convicção de que tudo foi feito na legalidade.

Diretor de vendas em 1980, e a partir dessa data responsável pela produção até 1986, Carlos Rolo manifestou-se convicto de que o comércio de material quer para o Irão, quer para o Iraque, foi feito depois de obtidas as licenças exigidas junto do Ministério da Defesa.

Confrontado na audição pelos deputados do CDS-PP e do PSD com o facto de existir na altura um embargo de armas para o Irão, decretado em Conselho de Ministros em abril de 1980, Carlos Rolo disse que «de certeza» que o embargo não foi contornado, admitindo ter indicado datas incorretas.

A X comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes», escreve a Lusa.

A anterior comissão de inquérito avançou para duas linhas de investigação que foram retomadas na X: o comércio e exportação de material militar e a extinção do fundo de Defesa Militar do Ultramar. Os deputados procuram perceber se existe alguma relação entre a venda ilegal de armas para o Irão e a queda do avião em Camarate.