O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, teme que a maioria PSD/CDS-PP funcione como «força de bloqueio» numa eventual comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo (BES), para «atirar responsabilidades do Governo para cima do regulador».

A comissão de inquérito, com as atuais regras, «fica refém dos interesses da maioria», apesar de servir para «ter acesso a informação a que, de outra forma, não se teria acesso», disse.

Mas, acrescentou, «muitas vezes», na comissão de inquérito, «o que fica aquém é o resultado, o apontar o dedo aos verdadeiros responsáveis e, aí, a maioria não pode ser uma força de bloqueio».

No que respeita ao BES, o Bloco de Esquerda (BE) vai lutar «contra essa força de bloqueio, caso ela exista», frisou o líder parlamentar, sublinhando o receio de que a maioria PSD/CDS-PP o tente fazer.

«Politicamente, tememos que possa servir como força de bloqueio para assacarmos das responsabilidades públicas do Governo e que possa até atirar responsabilidades que são do Governo para cima do regulador», ou seja, do Banco de Portugal (BdP), frisou.

Pedro Filipe Soares falava à agência Lusa após intervir na sessão «BES: Autópsia a um saque», no âmbito do Fórum Socialismo 2014, que o BE está a realizar em Évora.

Segundo o líder parlamentar do Bloco, o BES foi alvo de «gestão danosa» pela família que o detinha e «objeto de um saque», mas a «parte da autópsia» que «não ficou concluída» é a que se segue.

«Teremos uma comissão de inquérito. Teremos de perceber também quais foram as responsabilidades dos intervenientes públicos», referiu, argumentando que o BdP «não está isento de responsabilidades» neste processo.

Ricardo Salgado, defendeu o bloquista, «há muito tempo que deveria ter sido retirado de administrador do BES» e, se tal tivesse acontecido, a solução de criar o Novo Banco não teria sequer sido colocada em cima da mesa, porque o que teria havido seria «um aumento de capital».

«Quem foi passivo agora tem também de responder por essa passividade», sustentou, afiançando, contudo, que as responsabilidades do Governo também devem ser apuradas.

«Do lado do Governo, percebe-se agora, cada vez mais, que a Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, poderá estar exposta em 1.300 milhões de euros, caso corra alguma coisa mal com a alienação do Novo Banco» , realçou.

Isto demonstra, segundo Pedro Filipe Soares, que o próprio Governo não protegeu o dinheiro dos contribuintes, pelo que não cumpriu com a sua obrigação.

«O Governo tinha prometido que nem um cêntimo dos contribuintes ficaria em risco. O que vemos agora é que não são cêntimos, são centenas de milhões que poderão estar em causa com esta solução. Veremos quais as cenas dos próximos capítulos», afirmou o líder parlamentar do BE.

O Fórum Socialismo 2014 - Debates para a Alternativa arrancou na sexta-feira à noite, prolongando-se até domingo.