Por: Redacção / CP | 11- 6- 2010 15: 2
O deputado João Semedo apresentou, esta sexta-feira, na comissão de inquérito, o relatório sobre a intervenção do Governo
na compra da TVI, concluindo que José Sócrates sabia do negócio quando disse o contrário no Parlamento.
Governo interveio duas vezes no negócio
«No dia 24 de Junho, às 15h00, o primeiro-ministro
e o Governo tinham, naquela data, conhecimento que a PT estava a negociar a compra da Media Capital», disse o deputado relator,
considerando, então, que José Sócrates mentiu no Parlamento, ao afirmar que nem ele nem o Governo «tinham conhecimento das
negociações».
O relatório justifica esse conhecimento com as manchetes do jornal «i» e «Diário Económico» do dia
23, que davam conta do negócio, com o comunicado da CMVM do mesmo dia, com o conhecimento que Mário Lino confirmou ter tido
desse comunicado e com a solicitação de um comentário às negociações, por parte do jornal «i», ao ministro Augusto Santos
Silva.
«Assim, o Governo e o primeiro-ministro tinham conhecimento das negociações e as afirmações [de Sócrates]
contrastam com a informação de que o Governo dispunha», reforçou.
Semedo frisou que o próprio primeiro-ministro
«assumiu» esse conhecimento nas suas respostas à comissão de inquérito, quando admitiu que leu as notícias dos jornais. «Mas
desconhecia o seu fundamento», escreveu José Sócrates.
«E já em 13 Novembro, o primeiro-ministro reconhecia ter tido
conhecimento», afirmou João Semedo, referindo-se às declações de Sócrates quando admitiu a possibilidade de ter conversado
sobre o assunto PT/TVI «com amigos» e «conhecimentos informais», cuja identidade não foi apurada pelos deputados.
«O
primeiro-ministro distingue dois tipos conhecimento: formal e informal, oficial e particular. Como é evidente, ambos constituem
conhecimento», explicou o bloquista.
No entanto, a comissão de inquérito não conseguiu precisar «como e quando» José
Sócrates tomou conhecimento do negócio. «A dificuldade em apurar a fonte particular resulta do facto demonstrado e comprovado
de ele ter extravasado as fronteiras da empresa e de ter chegado ao conhecimento de diversas pessoas, e nalguns casos das
relações pessoais do primeiro-ministro, como é o caso de Armando Vara, entre outros», justificou Semedo.
O relator
criticou ainda a recusa de Rui Pedro Soares em prestar depoimentos, assim como as «limitações de Armando Vara e Paulo Penedos»
e as respostas do primeiro-ministro, que «não permitiram esclarecer se as conhecidas relações pessoas e político-partidárias
e conversas que mantiveram estão na origem do conhecimento do primeiro-ministro».
O «plano» de Rui Pedro Soares
O
relatório conclui também que houve «duas tentativas de aquisição da Media Capital», uma por parte da Taguspark e outra por
parte da PT.
Ambas com um «elo comum» que foi fazendo «diligências por iniciativa própria»: Rui Pedro Soares, administrador
executivo da PT e administrador não-executivo da TagusPark, e ex-dirigente nacional do PS, com «papel proeminente» nas negociações
e «cujas relações pessoais com Sócrates, Vara, Penedos e Mário Lino foram assumidas por todos».
Para João Semedo,
ficou provado que nem o conselho de administração da Taguspark, nem a administração da PT sabiam do «plano» de Rui Pedro Soares.
O
deputado relator lembrou que estas tentativas ocorreram «num tempo em que a linha editorial de informação da TVI, e em particular
o Jornal de Sexta apresentado por Manuela Moura Guedes, eram alvo de críticas públicas por parte do primeiro-ministro, do
Governo e de membros do PS», quando a TVI era «tratada de forma discriminatória».
«O convite para consultor e assessor
da PT feito por Zeinal Bava a José Eduardo Moniz revela que esta transacção em preparação incluía a substituição de funções
do director-geral na perspectiva de alteração da linha editorial da TVI», declarou.
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