O PSD acusou esta terça-feira o PCP de querer envolver o Presidente da República, Cavaco Silva, em «manobras partidárias» a propósito da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

Na resposta ao requerimento dos comunistas a pedir um depoimento escrito do chefe de Estado, e a que fonte parlamentar do PSD havia já indicado à agência Lusa na sexta-feira que o partido iria votar contra, os sociais-democratas advogam que o Presidente «não tem funções executivas e o parlamento não tem competências para fiscalizar a sua atividade».

O grupo parlamentar do PSD, acrescenta o texto endereçado ao presidente da comissão parlamentar, Fernando Negrão (PSD), considera que o requerimento a pedir um depoimento escrito de Cavaco «não passa de uma tentativa de o envolver em manobras partidárias».

O texto do PCP reclamava que Cavaco Silva prestasse esclarecimentos por escrito sobre reuniões tidas com o ex-banqueiro histórico do BES, Ricardo Salgado, em 2014.

Também o PS e o Bloco de Esquerda anunciaram que iriam apresentar requerimentos sobre a matéria, mas o voto contra do PSD diz somente respeito ao do PCP, o texto que entrou primeiro na comissão.

À Lusa, na sexta-feira, fonte parlamentar laranja havia descrito como «absolutamente lamentável» que «uma estratégia de lançar a confusão» e «um conjunto de manobras de diversão» de Ricardo Salgado tenha «vindo a ser seguida pelos partidos da oposição».

O antigo presidente executivo do BES Ricardo Salgado reuniu-se duas vezes em 2014 com o Presidente da República tendo alertado Cavaco Silva sobre os «riscos sistémicos» envolvendo o GES e o BES, disse o ex-banqueiro em carta endereçada à comissão parlamentar de inquérito.

Na missiva, conhecida na quinta-feira, Ricardo Salgado diz que se reuniu com Cavaco Silva numa primeira fase a 31 de março, ao passo que a 07 de abril encontrou-se com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

No dia seguinte o ex-banqueiro esteve com a ministra das Finanças, e a 22 de abril deu-se uma reunião com o agora ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

No segundo leque de reuniões, em maio, Ricardo Salgado esteve reunido com o ex-secretário de Estado e atual comissário europeu Carlos Moedas no dia 02, com o Presidente da República a 06, com a ministra das Finanças e o primeiro-ministro a 14, e com o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, no dia 20, escreve a Lusa.

Também em maio deu-se outra reunião com Durão Barroso que Ricardo Salgado não consegue precisar a data.

As diligências, diz o ex-banqueiro na carta enviada ao parlamento, «visavam, entre outros objetivos, informar as entidades competentes sobre as preocupações do GES e, reitere-se, do próprio BES».