O grupo parlamentar do PS anunciou esta segunda-feira que vai requerer a presença do presidente da CP-Comboios de Portugal no parlamento, para prestar esclarecimento sobre a redução do número de comboios na linha de Cascais.

A informação foi adiantada à agência Lusa pelo vice-presidente do grupo parlamentar do PS, Marcos Perestrello, que acrescentou que o pedido vai ser apresentado na Comissão de Economia e Obras Públicas da Assembleia da República.

Marcos Perestrello, em declarações à agência Lusa, disse que «é preciso ouvir rapidamente o presidente da CP, saber quais são os planos para recuperação da Linha de Cascais», no distrito de Lisboa, devido à sua importância para o dia-a-dia da população e para a região.

De acordo com o deputado socialista, «fechar a Linha de Cascais não pode ser opção, e o Governo parece estar a fazer tudo para a fechar e poder inseri-la no pacote de privatizações baratas, como tem feito com muitas outras áreas da governação».

Segundo o requerimento, ao qual a agência Lusa teve acesso, «a redução de 51 comboios reflete a degradação da prestação do serviço público ferroviário da CP, afetando milhares de passageiros».
 

Câmara contesta decisão da CP


O presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas, contestou a decisão da CP e lamentou que a autarquia não tivesse sido consultada. Em comunicado, Paulo Vistas (movimento independente Isaltino Oeiras Mais À Frente) diz «estranhar» e «contestar» a decisão da CP, considerando que a medida «contribuirá para prejudicar substancialmente» a população que reside em Oeiras e a que vai todos os dias trabalhar na zona, servida pela Linha de Cascais.

O autarca lamenta também que a Câmara de Oeiras não tenha sido informada oficialmente pela empresa, nem tenha sido chamada a participar na decisão.

«Além do mais, esta medida é contraditória à política que preconizamos de promoção da utilização dos transportes coletivos», acrescenta Paulo Vistas.

O autarca alerta ainda para o excesso de transporte privado no concelho, a qual considera que agora tende a agravar-se.

«Na nossa opinião, esta medida responde apenas a critérios economicistas e esquece por completo a sua função essencial de prestador de serviço público», refere.

A Linha de Cascais passou a ter, desde domingo, menos 51 comboios - os que faziam o trajeto rápido entre as 10:00 e as 17:00 - e novos horários de circulação, informou a CP.

Na Linha de Cascais, que liga esta cidade ao Cais do Sodré, em Lisboa, circulavam 251 comboios por dia e, desde domingo, passaram a circular 200.

A decisão, segundo a empresa, surgiu após uma análise feita à procura daquela linha férrea, da qual se constatou que o volume total de passageiros naquele período não justificava a frequência de comboios rápidos.

A CP assegurou, ainda, que irá monitorizar «atentamente a evolução e comportamento da procura na Linha de Cascais», para verificar a necessidade de eventuais ajustamentos.