Paulo Rangel, cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) às eleições europeias de 25 de maio, desafiou hoje o PS a reconhecer os erros políticos dos governos de António Guterres e José Sócrates, que levaram Portugal «à bancarrota».

«Estará o PS disponível para se comprometer a mudar de caminho, inverter as suas políticas e a deixar de falar em investimentos que criam mais dívida, mais endividamento e nos conduziram à bancarrota», questionou o candidato social-democrata.

Paulo Rangel, que falava na Curia, na apresentação oficial da lista de candidatos da Aliança Portugal, disse que os socialistas têm de dizer «se querem mudar as políticas do passado ou se o sinal que nos dão com a sua lista, com dois ministros de António Guterres, com dois governantes de ponta de José Sócrates e um líder parlamentar de Sócrates e Guterres como cabeça de lista, significa que querem de novo regressar ao passado, à espiral da dívida, da bancarrota e do despesismo».

Procurando marcar a diferença com os anteriores governos socialistas, o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP salientou que Portugal «recomeçou a exportar fortemente, que tem um excedente comercial que é o primeiro dos últimos 70 anos, um excedente externo que já não se via desde 1993, e que vê a sua taxa de crescimento a subir sistematicamente, as taxas de juros a baixar sustentadamente nos mercados internacionais e o desemprego a cair mês a mês».

«O país está a recuperar, em retoma, não quer regressar ao passado, e por isso temos de levar uma mensagem de esperança, mostrando que depois de três anos de muito esforço e de grande sacrifício, somos capazes de pôr Portugal na rota do crescimento, da criação de emprego, da competitividade e do combate à exclusão social», sublinhou.

Na sua intervenção, de 13 minutos, Paulo Rangel exortou ainda o líder do PS, António José Seguro, a explicar como é que defende a mutualização da dívida como única medida para resolver o problema da crise europeia e de Portugal, quando o candidato socialista à presidência do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a considera «inviável neste momento».

O candidato da Aliança Portugal referiu que as propostas da coligação assentam em «projetos e políticas voltadas para o crescimento, criação de emprego e coesão social», assumindo quatro prioridades em termos europeus.

A primeira passa pela criação do mercado único digital, que se poderá traduzir num ganho de 260 mil milhões de euros para a Europa, enquanto a segunda área prevê completar o mercado único clássico de bens e serviços, «que ainda está muito fragmentado».

Segundo o candidato, o pacote de medidas em que a coligação aposta «permitem ganhar também, numa visão prudente, cerca 233 mil milhões de euros, que significa a criação de mais 2,5 milhões de postos de trabalho nos próximos sete a 10 anos» em termos europeus.

Em terceiro lugar, Paulo Rangel aposta numa parceria transatlântica com os Estados Unidos da América, para o comércio e investimento, que «dará ganhos à economia europeia de mais de 100 mil milhões de euros», e passará Portugal, em termos geopolíticos e geoeconómicos, «da periferia europeia para o centro das relações económicas e comercias entre a Europa e os Estados Unidos».

Por último, falou da proposta de integrar «ainda mais» os mercados de energia e assegurar, em particular, o reforço da conexão da península ibérica ao resto do continente europeu.

«Isto é crucial para a área energética em Portugal, é fundamental para contrariar a dependência a energética da Europa e pode valer meio por cento do PIB europeu», frisou.