PSD e CDS admitem apoiar o mesmo candidato presidencial mesmo antes das eleições legislativas, segundo o acordo de coligação que os órgãos dos dois partidos aprovaram na quarta-feira à noite.

No compromisso assinado por Passos Coelho e Paulo Portas no sábado, esse apoio era claramente atirado para “depois das eleições legislativas”. No entanto, o texto foi alterado e, no acordo de coligação ontem aprovado, pode ler-se que será “preferencialmente após as legislativas”. Ou seja, já admite que seja antes das eleições em que vão concorrer coligados.

Questionado sobre esta alteração, o presidente do PSD considerou que o acordo “é claro” em matéria de presidenciais, citando apenas o documento: “Será preferencialmente depois. Está escrito em bom português.” Pedro Passos Coelho não explicou por que os dois partidos de direita decidiram precaver uma eventual antecipação de um candidato comum a Belém.

O documento foi aprovado pelos Conselhos Nacionais do PSD e do CDS-PP esta quarta-feira e contém mais cláusulas novas, entre as quais a criação de uma equipa de coordenação da coligação.

“A coligação constituirá órgãos próprios de coordenação política em documento autónomo", pode ler-se no documento, que acrescenta: “No respeito pela identidade de cada um dos partidos e à semelhança do funcionamento da presente legislatura, os deputados de cada partido constituirão um grupo parlamentar autónomo". 

O que se mantém desde o compromisso assinado no sábado por Passos e Portas é sobretudo que as listas conjuntas às legislativas serão construídas com base nos resultados das eleições de 2011.

Ainda não foi especificado o nome da coligação, tendo o porta-voz do PSD, Marco António Costa, destacado que “o importante” é “a substância”, que resulta do Programa Nacional de Reformas e do Programa de Estabilidade, já apresentados pelo Governo.