PS e LIVRE defendem o aprofundamento do diálogo entre forças políticas de esquerda para um novo Governo, mas o ex-eurodeputado Rui Tavares coloca reservas a uma eventual coligação formal pré-eleitoral com os socialistas.

 

Estas posições foram transmitidas no final da reunião entre o LIVRE e o PS, que decorreu nas instalações da direção do Grupo Parlamentar socialista e que durou cerca de 70 minutos.

 

Interrogado sobre o cenário de os dirigentes de o LIVRE aceitarem integrar-se nas listas de deputados do PS nas próximas eleições legislativas, o dirigente mais destacado desta força política afirmou: «A resposta a essa pergunta é a resposta que será mais vantajosa para o país e creio que o país necessita de um polo forte à esquerda do PS que dê alternativa nas próximas eleições».

 

Para o ex-eurodeputado eleito como independente pelo Bloco de Esquerda em 2009, o LIVRE procurará «catalisar um movimento forte dentro desse eleitorado, reforçando o polo do meio da esquerda, que não é centrista nem extremista - e que está claramente à esquerda do PS».

 

«O LIVRE pretende reforçar o meio da esquerda e o mais importante é que cada polo que se apresentar às eleições mobilize o eleitorado que conseguir representar, porque só assim será possível uma governação que seja entendível. Entendemos que há uma nova geração de votantes, um novo segmento do eleitorado (não apenas ao nível etário) que carece de representação e entendemos que no espaço político em que o LIVRE está não existe neste momento outro partido que o represente», sustentou, embora tenha apontado nessa mesma área movimentos sociais como o Fórum Manifesto e a Renovação Comunista.

 

Na reunião, o PS fez-se representar pela sua presidente, Maria de Belém, e pelo líder parlamentar, Ferro Rodrigues. «Registou-se sobretudo um afinar de preocupações que são comuns. O PS considera que é absolutamente indispensável estar na política para promover o desenvolvimento e muito daquilo que está a acontecer, como o crescimento das desigualdades e da exclusão, deve ser ultrapassado com uma governação doutro tipo, com outras linhas programáticas, estratégicas e com uma vontade de reintroduzir a ação política ao serviço daquilo que efetivamente deve fazer», apontou a ex-ministra dos governos liderados por António Guterres.

 

Maria de Belém, porém, referiu que o PS se encontra numa fase de transição, a cerca de um mês de eleger um novo secretário-geral e de realizar um novo congresso nacional. «A seguir, com a fase de estabilização do PS, será seguramente mais produtivo qualquer aprofundamento em torno daquilo em que existem convergências», referiu.

 

De acordo com a presidente do PS, os socialistas deverão voltar a reunir-se com o LIVRE, mas essa garantia só pode ser dada após a eleição de uma nova liderança. «Estes são processos em evolução e a seu tempo se verá qual a identificação ou não identificação de posições. Temos de aguardar pela eleição do novo secretário-geral do PS, que se vai apresentar a eleições [diretas] com uma moção de orientação política estratégica. Nessa altura deverão existir novos desenvolvimentos», acrescentou.