O líder do CDS-PP nos Açores e vice-presidente do partido a nível nacional, Artur Lima, considera que foi difícil manter a governação do país com o PSD e houve medidas de austeridade "nalguns casos excessivas".

"Julgo que só a astúcia e a capacidade política do líder do CDS [Paulo Portas] é que permitiu [manter a coligação]. Pese embora tenha uma ou outra vez de ter dado, irrevogavelmente, um murro em cima da mesa, por uma ou duas vezes, eu julgo que foi assim que se conseguiu manter a coligação", salientou, em entrevista à Lusa, em Angra do Heroísmo, na véspera do IX Congresso do CDS-PP/Açores.

Nas últimas eleições legislativas nacionais, Artur Lima defendeu que o CDS não deveria formar Governo com o PSD e, quatro anos depois, diz que "tinha razão", porque "foi um exercício muito difícil de governação com o PSD".

Ainda assim, salientou que Paulo Portas conseguiu "manter a coligação a bem de Portugal" e retirar a troika do país, mesmo que "com algumas medidas de austeridade, nalguns casos, até excessivas".

Mantendo-se "um parceiro leal do PSD" e "solidário nalgumas medidas de austeridade", o CDS conseguiu, na opinião de Artur Lima, fazer aprovar algumas propostas da sua ideologia, como a reforma do sistema fiscal e o aumento do salário mínimo.

"Imagine-se o PSD no poder sozinho com maioria absoluta. Por isso nós somos contra maiorias absolutas de um só partido", frisou.

Apesar de admitir ter "anticorpos em relação ao PSD", o líder regional centrista considerou que as pessoas não entenderiam que os dois partidos não concorressem juntos nas próximas eleições e disse acreditar que a coligação pode manter-se no governo, até com maioria absoluta.

Artur Lima alegou que as propostas que o secretário-geral do PS, António Costa, tem apresentado "não têm credibilidade" e algumas, a nível fiscal, "são praticamente iguais às do Governo".

"As pessoas já não vão na demagogia barata do dar tudo a todos ao mesmo tempo", frisou, considerando que António Costa "não oferece confiança aos eleitores".

Por outro lado, considerou que o PS "sozinho não consegue a maioria absoluta", mas também ainda não disse "a quem é que se vai juntar".

"Não se pode correr o risco de Portugal voltar a ser intervencionado com ajuda externa e julgo que com o Partido Socialista e com António Costa pode-se correr esse risco", salientou.

Questionado sobre uma possível sucessão de Paulo Portas na liderança do CDS-PP, Artur Lima disse que não sabe de onde é que vêm "essas ideias".

"É uma brincadeira. O dr. Paulo Portas é líder do CDS, tem o apoio esmagador dos militantes do CDS, quanto ao resto, não passam de contos de fadas", frisou.