O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Marcos Perestrello (PS), exigiu esta terça-feira que o PSD se «defina». A exigência surge depois de os vereadores sociais-democratas terem chumbado um empréstimo para pagar a fornecedores constituídos por pequenas e médias empresas e que não representaria encargos para o próximo executivo camarário.

«Exige-se que o PSD defina que PSD existe na cidade de Lisboa. Na Câmara votaram a favor, a direcção nacional do PSD não se cansa de falar da necessidade de pagar a tempo e horas às pequenas e médias empresas, e na Assembleia chumba um empréstimo para pagar facturas de trabalhos já realizados», afirmou à Lusa Marcos Perestrello.

O vice-presidente afirmou que, para seu «grande espanto», o PSD afirmou que «não fazia diferença» que a Câmara pagasse às empresas a 160 dias e que «não tinha necessidade de pagar juros de mora», referindo-se à intervenção do deputado municipal do PSD Domingos Pires.

Domingos Pires tinha dito que em vez de recorrer ao empréstimo «a Câmara pode recorrer ao crédito dos fornecedores que, em média, ronda, os 160 dias».

«Nos créditos de curto-prazo a 160 dias normalmente não há contagem de juros de mora», afirmou o deputado social-democrata.

Marcos Perestrello sublinhou que o empréstimo se destinava a ultrapassar as «dificuldades de tesouraria que todas as Câmaras têm no início de cada ano», de forma a poder pagar mais cedo, a 60 dias, aos fornecedores.

O autarca acusou ainda os sociais-democratas de ter feito o «milagre da multiplicação dos votos» por terem recusado a votação nominal, e terem chumbado o empréstimo «com menos deputados e através de um estratagema regimental».

O Bloco de Esquerda pediu a votação nominal da proposta, mas o pedido foi inviabilizado pelo PSD, mantendo-se a tradicional votação por bancada.

«O PSD chumbou a proposta com o argumento de que o empréstimo teria propósitos eleitorais e acarretaria encargos para o próximo executivo, mas o vereador das Finanças comprometeu-se com a sua liquidação até ao final de Agosto. Sobre isso, o PSD nem sequer se pronunciou», afirmou.