O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, destacou, esta terça-feira, o empenho de Portugal "com a profunda descarbonização da sua economia", durante o discurso que fez no segmento de alto nível na Cimeira do Clima (COP21) em Paris.
 

"Portugal está totalmente empenhado com a profunda descarbonização da sua economia. Já demos grandes passos em termos de redução da poluição industrial, na promoção das energias renováveis, reduzindo a dependência das importações de energia e a intensidade de carbono da nossa economia", declarou o ministro, acrescentando que o país está "preparado e empenhado para ir mais longe porque o objetivo é um futuro sem emissões de carbono".


Perante o plenário da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, João Matos Fernandes elencou os objetivos de Portugal na luta contra as alterações climáticas, destacando o papel das "áreas da reabilitação urbana, da eficiência energética e da mobilidade sustentável".
 

"Precisamos de aumentar a ambição no que respeita ao nível de emissões provenientes dos setores residencial e de serviços e dos transportes, o que exigirá a adoção de um conjunto de medidas nas áreas da reabilitação urbana, da eficiência energética e da mobilidade sustentável, contribuindo para uma verdadeira politica integrada de cidades", disse.


Por outro lado, o ministro lembrou que Portugal "cumpriu o seu primeiro período de compromisso das metas de Quioto e está a caminho de cumprir a sua segunda meta do período de compromisso para 2020", explicando que, este ano, foi adotado o Programa Nacional para as Alterações Climáticas - "com uma meta de redução de 30% a 40% abaixo dos níveis de 2005 até 2030" - e a segunda fase da Estratégia Nacional de Adaptação.

O novo titular da pasta do Ambiente disse acreditar que "o acordo de Paris" está "ao alcance" já que "desde dezembro de 2011, em Durban, as 196 Partes estabeleceram um caminho coletivo para alcançar um acordo durável, vinculativo, global e ambicioso" tendo em vista "o objetivo dos 2 graus".

João Matos Fernandes relembrou que "até à data, mais de 180 países, que representam mais de 97% das emissões globais, apresentaram as suas contribuições", mas apelou à conclusão de um "acordo firme" que "comprometa todas as partes a voltar, a cada cinco anos, a submeter ou atualizar os compromissos de mitigação no quadro internacional".
 

"Todos sabemos que, na situação atual, o nível de ambição para 2030 ainda não é suficiente para nos manter abaixo dos 2ºC. Precisamos de um acordo firme que dê um sinal claro de que todos os países estão comprometidos com a descarbonização e com a adoção de opções de baixo carbono a um nível nacional, em linha com um objetivo global", afirmou.


O ministro afiançou que "Portugal continuará a cooperar com os seus parceiros", lembrando, nomeadamente, a "estreita colaboração com os Países Africanos de Língua Portuguesa na implementação de projetos de mitigação e adaptação", e terminou o discurso dizendo estar "convicto que juntos" se pode "vencer os desafios das alterações climáticas".

A COP21, que decorre até ao dia 11, reúne em Paris representantes de 195 países, que tentarão alcançar um acordo vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que permita limitar, até 2100, o aquecimento da temperatura média global da atmosfera a dois graus centígrados acima dos valores registados antes da revolução industrial.