O Bloco de Esquerda acusa o governo de «impedir» o debate no Parlamento sobre a portaria que reclassificou hospitais, depois de ver chumbados os seus pedidos de audição dos diretores de serviços das unidades de Santa Cruz e Gaia/Espinho.

Nova portaria vai transformar rede hospitalar «numa caricatura»

«Ao impedir que esta portaria seja discutida no Parlamento, e que os responsáveis hospitalares sejam ouvidos, a maioria CDS/PSD está a pactuar com uma situação que configura um retrocesso de décadas no acesso aos cuidados de saúde essenciais por parte dos utentes do SNS», acusam os bloquistas em comunicado hoje divulgado.

O BE viu hoje chumbados, na Comissão Parlamentar de Saúde, os pedidos de audição dos diretores de serviços dos dois hospitais, para um debate que pretendiam realizar sobre os impactos da portaria 82/2014.

«Direita impede audição dos diretores de serviços dos hospitais de Santa Cruz e Vila Nova de Gaia/Espinho», acusa o Grupo Parlamentar do BE.

Com aquela portaria, os hospitais de Santa Cruz e Vila Nova de Gaia/Espinho «perderão diversas valências de Cirurgia Cardíaca, Cardiologia e Cardiologia Pediátrica», alegava o BE nos seus pedidos de audiência «com caráter de urgência», apresentados na passada quinta-feira.

«O Bloco de Esquerda não pode deixar de denunciar que o Governo pretende avançar com o encerramento de serviços altamente diferenciados e altamente prestigiados na medicina portuguesa, como a cirurgia cardiotorácica, a cirurgia para crianças, e serviços de cardiologia de excelência, no panorama do SNS português», refere ainda o comunicado de hoje.

Para o BE «esta portaria é a cobertura legal para que as administrações dos hospitais possam encerrar os serviços que entenderem para equilibrar as contas e poupar na saúde dos portugueses», razão pela qual defenderam a discussão do tema no Parlamento.