O comissário europeu responsável pela ajuda humanitária defendeu hoje que a Síria precisa "desesperadamente de uma solução para a crise política" e apelou ao cumprimento do cessar-fogo acordado na semana passada, para que o apoio possa chegar às populações.

"Quando há problemas políticos, então temos de encontrar em primeiro lugar soluções políticas. Na Síria, é desesperadamente necessária uma solução para a crise política", sustentou hoje o comissário europeu responsável pela ajuda humanitária e gestão de crises, Christos Stylianides, no parlamento português.

Para o comissário europeu, o acordo alcançado na semana passada em Munique, que prevê um cessar-fogo na Síria, "é um passo positivo", mas agora "o que é fundamental é que haja uma implementação desse acordo por todas as partes, em particular no que diz respeito aos aspetos humanitários".

A Comissão Europeia, acrescentou, está pronta para fazer chegar a ajuda humanitária ao terreno.

Na Síria, ainda há 14 milhões de pessoas a necessitar de assistência e, destas, seis milhões são crianças.

"Estes números são francamente alarmantes e com os terríveis desenvolvimentos no terreno, em Alepo e noutros locais, estes números tendem a crescer dia a dia", lamentou.

A educação é uma preocupação essencial e, nesse sentido, o comissário anunciou o aumento do orçamento de um para quatro por cento exclusivo para este fim até 2019.

"É uma arma para as crianças vulneráveis, protegendo-as de recrutamento ou casamentos forçados", sustentou.

Para Stylianides, que hoje apresentou na Assembleia da República o programa da Comissão Europeia para este ano, a crise dos refugiados "tem sido um ‘teste de stress' de grande importância para todos nós, para as instituições europeias e os Estados-membros" e, "infelizmente, o fim não está à vista".

O responsável europeu considerou que se trata de uma crise mundial e, por conseguinte, "exige uma resposta à escala mundial, multidimensional, que trate das necessidades imediatas e as necessidades de longo prazo".

A este respeito, o comissário europeu enalteceu o papel de António Guterres, que no final de 2015 terminou o mandato como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

"Quero prestar um especial tributo ao meu amigo e político português António Guterres. Trabalhámos com grande proximidade e eu aprendi muito com a sua sabedoria, conhecimento e experiência. Quero dizer algo sobre o António porque a nossa colaboração no terreno foi muito, muito eficiente e eficaz", destacou.

O comissário europeu fez votos que a comunidade internacional alcance "um compromisso forte e robusto" na cimeira sobre ajuda humanitária convocada para maio, em Istambul.

"Vivemos tempos que não são fáceis para a Europa. Precisamos de empenho, determinação, e de nos mantermos leais ao nosso projeto comum europeu e de preservar a nossa unidade", disse.

O responsável apontou a importância dos parlamentos nacionais: "Para enfrentar os desafios e ultrapassar as crises, temos de trabalhar juntos, em Bruxelas, mas, mais importante, nos Estados-membros", disse.

Na sua intervenção, Stylianides deixou um apelo aos eleitos nacionais: "Por favor exerçam pressão política sobre nós, pois precisamos dela para podermos envolver as nossas decisões de uma forma sincera".