O ministro da Defesa vai ser questionado no próximo dia 26 no parlamento sobre a demissão do general Carlos Jerónimo da chefia do Exército, que está a provocar "ondas de choque" e "mal-estar" no ramo segundo o PSD.

A audição do dia 26, que já estava prevista, terá uma grelha própria para discutir este tema, decidiu a comissão de Defesa Nacional, por unanimidade esta quarta-feira, após a discussão de um requerimento do PSD para chamar Azeredo Lopes ao parlamento.

Por outro lado, PS, BE e PCP votaram contra a pretensão do PSD para ouvir o general Carlos Jerónimo, que foi exonerado do cargo a seu pedido na semana passada e, não estando em funções, não está obrigado a comparecer a audições parlamentares e poderá ou não aceitar convites que lhe sejam dirigidos pela comissão.

A proposta para ouvir o ministro da Defesa sobre a demissão do chefe do Estado-Maior do Exército partiu do PSD, com o deputado Pedro Roque a defender que a situação está a provocar "ondas de choque" no Exército e a pôr em causa a "coesão do ramo".

"Estão por explicar as razões da quebra de confiança", afirmou Pedro Roque, defendendo que "o general Carlos Jerónimo é um homem de caráter e responsável" e que, para se ter demitido, "alguma coisa não correu bem".

O general Carlos Jerónimo apresentou o pedido de demissão a 7 de abril ao Presidente da República, que é, por inerência, o Comandante Supremo das Forças Armadas. O general ocupava o cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) desde 18 de fevereiro de 2014. Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido de demissão do general Carlos Jerónimo, que alegou "razões pessoais, e agradeceu os "serviços relevantes" prestados pelo CEME ao país.

PR só fala das Forças Armadas com as mesmas

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, escusou-se, em Estrasburgo, França, a comentar a demissão do general Carlos Jerónimo da chefia do Exército, apontando que não comenta "nada das Forças Armadas senão diretamente" com as mesmas.

Não comento fora do território físico português aquilo que se passa em Portugal e, em geral, o Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas não comenta nada sobre as Forças Armadas (…) Mesmo que estivesse em Portugal, não comentaria nada das Forças Armadas senão diretamente às Forças Armadas", disse.

Perante as questões dos jornalistas, à margem de um encontro com funcionários portugueses no Parlamento Europeu, que marcou o final da sua visita de dois dias a Estrasburgo, Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que não comentaria "nada, nada" e reforçou que "o Presidente quando quer dirigir-se às Forças Armadas dirige-se diretamente a elas". Questionado sobre se pensa então dirigir-se diretamente às Forças Armadas quando regressar a Portugal, limitou-se a responder: "Veremos, veremos".

O Governo negou que o ministro da Defesa tenha pedido ou sugerido sequer a demissão do general Carlos Jerónimo da chefia do exército na sequência do caso da alegada discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar.