O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou que o entendimento político alcançado entre o PSD e o CDS/PP corresponde a uma «recauchutagem no Governo» e apelou ao Presidente da República para que convoque eleições antecipadas.

«O acordo corresponde a uma recauchutagem no Governo, mas um pneu recauchutado é sempre pior do que o original. Aqui, no Governo, é a mesma coisa: havia um original, agora passa a haver um recauchutado que não será melhor do que o anterior», disse Arménio Carlos, no final de um protesto organizado pela central sindical junto ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, para exigir a demissão do Governo.

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PCP espera «clarificação» do Presidente da República

O secretário-geral da CGTP adiantou que a «esmagadora maioria dos portugueses não está de acordo com as políticas do Governo» e, por isso, o executivo «tem medo das eleições e foge das eleições como o diabo da cruz».

Arménio Carlos sublinhou que o movimento sindical vai continuar a exigir que o Presidente da República convoque eleições e «não dê cobertura» a este entendimento.

Caso tal aconteça, o Presidente da República «não está só a descredibilizar a política, como também está a descredibilizar a instituição Presidência da República», afirmou.

«Este é um momento do Presidente da República dizer basta e pôr um travão a esta situação e, acima de tudo, que cumpra a Constituição», disse ainda Arménio Carlos.

O protesto, que durou cerca de uma hora devido ao calor, juntou, segundo a CGTP, «alguns milhares» de pessoas, que junto ao Mosteiro dos Jerónimos exigiram a demissão do Governo.

Debaixo de um sol abrasador, os manifestantes empunharam cartazes da central sindical e de sindicatos, com frases como «Governo rua!».

Entre as palavras de ordem, os manifestantes gritaram «É só mais um empurrão e o Governo vai ao chão», «Portas, Coelho e Cavaco são farinha do mesmo saco», «Quem luta sempre alcança, queremos mudança» e «É preciso, é urgente correr com esta gente».

O protesto contou ainda com a presença do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e da coordenadora do BE, Catarina Martins, além dos movimentos «Que se lixe a troika» e Precários Inflexíveis.