O dirigente comunista Jorge Pires, defendeu o controlo público do Novo Banco, opondo-se ao processo de venda, e condenou PSD/CDS-PP por, através da comissão parlamentar de inquérito, tentarem desvalorizar a Caixa-Geral de Depósitos (CGD) para futura privatização.

"A concretizar-se a venda [do Novo Banco], constituiria mais um atentado contra o interesse nacional, só entendível à luz da submissão a uma estratégia de centralização e concentração da banca nas mãos de grandes grupos económicos privados e de mutilação da soberania nacional e da capacidade de decisão das instituições no nosso país", afirmou, em conferência de imprensa, na sede do PCP.

O membro da comissão política do comité central comunista declarou que "o Estado português não tem que ficar com os prejuízos e, ainda por cima, ficar sem os bancos".

"O povo português não tem nem deve pagar a entrega de instituições saneadas com fundos públicos aos grandes tubarões bancários transnacionais, como aconteceu com esta compra do negócio do Banif pelo Santander, que, na verdade, tratou-se de uma recapitalização deste à custa das verbas públicas despejadas naquele", continuou.

Segundo Jorge Pires, "o mesmo cenário poderá vir a acontecer, caso se venha verificar a venda do Novo Banco - o terceiro maior banco comercial do país -, a um ou mais grupos privados, depois de o Estado português ter assumido uma parte muito significativa dos custos da resolução do BES, mais de 4.000 milhões de euros".

O dirigente comunista criticou os grupos parlamentares social-democrata e democrata-cristão pelos "dois grandes objetivos" do inquérito à CGD: "desacreditar e desvalorizar o banco público, procurando colocá-lo no mesmo plano da banca privada quanto à sua natureza e objetivos e esconder o processo de privatização que o seu governo tinha iniciado a partir de 2011 e que a capitalização com o recurso a 900 milhões de euros em CoCo`s (títulos de dívida convertíveis em capital das instituições financiadas) não deixa dúvidas".

"O PCP reafirma a importância do controlo público da banca e, no imediato, a nacionalização do Novo Banco com a anulação imediata do processo de venda em curso", vincou Jorge Pires, acrescentando "indignação" pelos "milhares de despedimentos que estão a acontecer na banca - mais de 8.000 desde 2008".