O PCP acusou esta sexta-feira o PSD de querer "instrumentalizar a Assembleia da República numa campanha de amesquinhamento da banca pública" com a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, promovendo a desestabilização e abrindo caminho à privatização.

"O PCP denuncia e rejeita a manobra que o PSD pôs em andamento com vista à deterioração da imagem da empresa [Caixa Geral de Depósitos] e à sua fragilização económica e financeira", disse Jorge Pires, membro do comité central do PCP, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.

Na opinião do PCP, o partido liderado por Passos Coelho "pretende instrumentalizar a Assembleia da República na sua campanha de amesquinhamento da banca pública" e "mover uma campanha de desestabilização da Caixa, favorecendo os seus concorrentes privados e abrindo o caminho para a sua privatização total ou parcial".

"O PCP intervirá, independentemente do contexto e dos objetivos fixados pelo PSD, no âmbito das suas atribuições parlamentares, dentro e fora de comissões de inquérito, no sentido do apuramento da verdade dos factos e das responsabilidades políticas dos sucessivos governos", assegurou.

Os comunistas defendem “que a recapitalização do banco público deve ser da responsabilidade do Estado, enquanto único acionista”, considerando que o país “precisa não apenas do banco público, mas do reforço do setor público bancário, onde se inclui a nacionalização do Novo Banco”.

Sobre a notícia avançada hoje pela TSF de que o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia – que entretanto já negou hoje qualquer envolvimento - estão a equacionar a hipótese de fazer uma auditoria à Caixa Geral de Depósitos, antes de darem 'luz verde' ao pedido de recapitalização já entregue pelo Governo, Jorge Pires considera que se esta avançar será “para destabilizar a Caixa”.

“O BCE é desde o dia 1 de janeiro supervisor dos cinco maiores bancos nacionais, onde se encontra a CGD. Essa medida, se vier a ser tomada é para destabilizar a Caixa, para pôr em causa o papel do banco público e não para procurar apurar responsabilidades porque tiveram ao longo destes anos todos os mecanismos, todos os instrumentos para apurarem todas as responsabilidades”, explicou.

O comunista recordou ainda que “nos últimos quatro anos, o PSD e o CDS tiveram importantes quadros na gestão da Caixa”.

Sobre a auditoria forense aos créditos de alto risco da Caixa proposta pelo BE, Jorge Pires respondeu apenas: “o que está hoje em causa relativamente à Caixa Geral de Depósitos é a defesa da Caixa enquanto banco público, fundamental para o desenvolvimento económico e social do país e portanto qualquer solução que vá no sentido de pôr em causa esta nossa ideia, nós não acompanharemos”.

“Nunca branquearemos qualquer situação que venha a ser detetada – ou que já tivesse sido detetada – por razões de interesse político-partidário, nem pensar”, assegurou.

De acordo com Jorge Pires, ao longo dos anos, os comunistas estiveram sempre atentos a essas situações e mais vezes as denunciaram.