O PCP questionou hoje o Ministério da Saúde sobre o encerramento do centro de saúde no Bairro do Lagarteiro, Porto, num documento onde defende que tal ação é «inconcebível» e deve ser revertida.

«O encerramento da Extensão de Saúde de Azevedo é inconcebível e deve ser revertido em prol das populações de forma a garantir o acesso aos cuidados de saúde», refere o requerimento do grupo parlamentar do PCP hoje entregue na Assembleia da República.

Para os comunistas, o encerramento da unidade que abarca o Bairro do Lagarteiro ¿ onde na quinta-feira a EDP procedeu ao corte de dezenas de ligações ilegais de eletricidade ¿ constitui «um violento ataque aos direitos que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa».

Os deputados dizem ter tido «conhecimento que a Direção do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Oriental emanou um comunicado no qual informa que os médicos que estão afetos à Extensão de Saúde de Azevedo do Centro de Saúde de Campanhã vão deixar de exercer atividade, no próximo dia 4 de novembro, naquela unidade de saúde em virtude do fecho da extensão, sendo que alegam a falta de condições da extensão de saúde para tomar tal medida».

«O governo reconhece que este encerramento, tendo em conta as condições económicas extremamente precárias da população que é servida por esta unidade de saúde, vai obrigá-las a custos acrescido, nomeadamente com deslocações, que são impossíveis de suportar e, por conseguinte, pode impedir esta população de aceder aos cuidados de saúde», questiona o PCP.

Os comunistas perguntam ainda se este encerramento é definitivo, se o governo pondera revogar esta medida, se irá fazer os investimentos públicos necessários nas instalações encerradas para que passem a ter «condições condignas» ou se pondera encontrar um espaço alternativo na mesma zona.

Num comunicado enviado em anexo ao requerimento, o PCP recorda a «construção de novas instalações para a extensão de Azevedo do Centro de Saúde de Campanhã esteve prevista no plano do Programa Bairros Críticos, no quadro de uma requalificação geral do Bairro do Lagarteiro e de parte da zona de Azevedo, mas não se chegou a verificar por culpa dos sucessivos governos PS e PSD/CDS».

«O PCP sublinha a sua solidariedade com os justos protestos que os utentes estão a realizar em defesa do direito à saúde e exalta a população a não desistir de se bater para continuar a ter em Azevedo uma unidade pública de serviços primários de saúde», salientam.

Dezenas de utentes da Unidade de Saúde de Azevedo estiveram na manhã de hoje concentrados no local a protestar contra o encerramento daquele serviço público a partir de segunda-feira.

Os utentes afirmaram à Lusa terem sido surpreendidos com um aviso colocado à porta da unidade que refere que a partir de segunda-feira, inclusive, vai ser suspensa a atividade assistencial na unidade «por motivos relacionados com a segurança do edifício e como medida de precaução».