O CDS e o PSD acusaram esta terça-feira o presidente do PS de ter feito promessas «eleitoralistas» e «irresponsáveis» ao referir-se a soluções para os lesados pela aquisição de papel comercial do BES caso os socialistas formem Governo.

A posição comum das bancadas da maioria PSD/CDS foi transmitida sucessivamente aos jornalistas pela democrata-cristã Cecília Meireles e pelo social-democrata Carlos Abreu Amorim, citando declarações proferidas por Carlos César na segunda-feira à noite na RTP Informação.

«Não apenas os deputados que acompanham a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Espírito Santo (BES), mas também todos os portugueses percebem que o problema dos lesados do papel comercial do BES é sério, obviamente envolve situações pessoais dramáticas e certamente que se pretende para essa situação uma solução responsável. Mas é particularmente grave que este assunto, que até agora tem sido tratado de forma responsável, seja alvo de promessas eleitoralistas e perfeitamente irresponsáveis», declarou Cecília Meireles.

Já o vice-presidente da bancada social-democrata Carlos Abreu Amorim classificou como «lamentáveis» as declarações «eleitoralistas» de Carlos César e exigiu que o PS esclareça se se revê na posição do seu presidente ou na atuação que tem sido seguida pelos deputados socialistas na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES.

Perante os jornalistas, a vice-presidente da bancada do CDS salientou que «não é por se dizer que se vai pagar tudo a todos, passando a fatura disso mesmo ao contribuinte, que se revolve algum problema».

«Pelo contrário, o CDS não esquece nem desresponsabiliza os acionistas do Grupo Espírito Santo (GES), onde este dinheiro foi parar. Também não esquecemos que um compromisso aceitável para estas pessoas, que enfrentam um problema sério, poderá incorporar-se no Novo Banco - essa é a solução desejada», defendeu.

Ainda de acordo com Cecília Meireles, o CDS «não embarcará em promessas perfeitamente eleitoralistas e que visam desresponsabilizar quer o Novo Banco, quer a família Espírito Santo, no sentido de encontrarem soluções para essas pessoas».

«Se queremos ajudar a resolver este assunto [dos lesados do BES], temos de chegar a uma posição de compromisso, e nós devemos acompanhar essa solução de compromisso, não nos tornando parte do problema», advertiu ainda a dirigente do CDS.

No mesmo sentido, Carlos Abreu Amorim elogiou os resultados dos trabalhos até agora realizados no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o BES, alegando que tem «prevalecido um sentido de responsabilidade, em que os jogos político-partidários têm sido raros».

«Mas as declarações de Carlos César são lamentáveis. Faz uma promessa eleitoral à custa do dinheiro dos contribuintes, usando matéria em averiguação nesta comissão de inquérito e contrastando inclusivamente com posições responsáveis por parte do Grupo Parlamentar do PS. Apelo ao presidente do PS que entenda fazer declarações sobre esta matéria com a mesma responsabilidade que os seus deputados na comissão de inquérito. E não tente criar mais confusão e mais ruído, o que em nada ajuda aos lesados do GES», defendeu Carlos Abreu Amorim.

Para o «vice» da bancada social-democrata, importa agora esclarecer «se as declarações de Carlos César correspondem a uma posição política efetiva do PS, ou se são declarações que apenas responsabilizam Carlos César».

«Custa-me a crer que uma posição política irresponsável venha a ser sufragada pelo PS. De facto, há ainda muita coisa por esclarecer e as soluções estão a ser postas em cima da mesa pelas entidades a quem isso compete», acrescentou.