A vice-presidente da bancada do CDS-PP Cecília Meireles defendeu hoje que o primeiro dia do novo ciclo "começou com o pé esquerdo" com a baixa à comissão sem votação de matérias como a sobretaxa de IRS, e responsabilizou a maioria de esquerda pela queda dos índices de confiança.

"Na primeira manhã deste novo ciclo pode dizer-se que, do ponto de vista simbólico, há uma decisão: adiar. Neste novo ciclo e nesta manhã em relação à maior parte das questões a decisão que tivemos das esquerdas foi adiar, adiar, adiar".


Segundo a deputada centrista foi isso que aconteceu com a baixa à especialidade sem votação na generalidade de matérias como "a eliminação da sobretaxa, recuperação de remunerações Função Pública, reversão das concessões da STCP, Metro do Porto ou Carris".

"É começar literalmente com o pé esquerdo".


Cecília Meireles referiu-se também à quebra dos indicadores de confiança dos consumidores e de clima económico, sublinhando que estão em queda e no caso dos consumidores em outubro "há uma descida abrupta numa tendência de subida que se vinha a sentir desde o princípio de 2013".

"Estes indicadores estão a inverter e a começar a descer e isto é muito preocupante e é uma má notícia para Portugal, porque atrás da confiança vem o investimento, atrás do investimento vem o crescimento económico e atrás do crescimento económico vem a recuperação de emprego, através da produção".


"Infelizmente para todos os portugueses as incerteza e a irresponsabilidade tem consequências e tem más consequências", afirmou, responsabilizando a maioria de esquerda no parlamento.

Para Cecília Meireles, "tirar a conclusão é óbvio" porque ambos os índices desceram nos últimos dois meses.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o indicador de confiança dos consumidores (calculado através de inquéritos a particulares) piorou em novembro, alcançando os -13,7 pontos (-11,2 pontos observados em outubro) e invertendo a tendência ascendente observada desde o início de 2013.

O indicador de clima económico (calculado através de inquéritos a empresas de vários setores de atividade), por sua vez, voltou a agravar-se em novembro para os 0,9 pontos (dos 1,2 pontos observados em outubro e depois de dois meses de estabilização).

Os indicadores de confiança do INE são calculados através de médias móveis de três meses dos saldos de respostas extremas a inquéritos. Um número negativo significa que houve mais respostas pessimistas do que otimistas.