O Bloco de Esquerda (BE) citou esta quinta-feira no parlamento o escritor Mark Twain numa intervenção sobre os cortes salariais e a eventual manutenção dos mesmos após o programa de resgate, dizendo que as notícias sobre saída da troika são «manifestamente exageradas».

«Com ou sem troika, ficámos a saber (...) que o Orçamento de 2015 está refém da decisão de uma troika que poderá já não estar no país, mas continuará a mandar nas contas públicas. As notícias sobre a libertação da troika, parafraseando um conhecido escritor, são manifestamente exageradas», disse a deputada bloquista Cecília Honório numa declaração política.

A parlamentar criticava a declaração de quarta-feira do primeiro-ministro onde Pedro Passos Coelho disse que Portugal não poderá regressar ao nível salarial e de pensões que registava em 2011.

«Estas declarações contradizem direta e frontalmente tudo o que o Governo foi dizendo sobre a natureza transitória e temporária dos cortes salariais, e viola descaradamente todos os sucessivos acórdãos do Tribunal Constitucional», advertiu a deputada do Bloco.

Cecília Honório acusou ainda o executivo de ter praticado uma argumentação «cheia de má-fé» quando falou na transitoriedade dos cortes salariais e de pensões, cenário que a 11.ª avaliação da troika veio contradizer.

«Entretanto, o primeiro-ministro diz, sem se rir, que mais sucesso no ajustamento é difícil, enquanto prepara o corte definitivo dos salários e pensões, o embaratecimento do despedimento, mesmo que este seja ilegal, e novos cortes nas prestações sociais», declarou a parlamentar.

O processo de ajustamento, reforçou ainda a bloquista, «é um verdadeiro programa de empobrecimento do país e dos seus cidadãos, desvalorizando salários, desregulando o mercado de trabalho e desqualificando o país».