Jerónimo de Sousa tem insistido que os partidos da coligação de direita “vão ser derrotados” nas eleições de domingo. Tem até falado numa “enorme derrota”. Mas, esta quinta-feira à noite, com as sondagens a darem vantagem à PàF, o líder comunista introduziu um matiz no discurso. Associou a palavra “derrota” à perda da maioria absoluta da direita e já não a um claro afastamento do poder.

“Se PSD e CDS podem perder a maioria absoluta, essa derrota não resultou da campanha eleitoral, resultou da luta travada, muito antes, pelos trabalhadores e pela população portuguesa”, disse Jerónimo de Sousa no discurso que fez durante o jantar-comício realizado na Quinta do Conde, concelho de Sesimbra. 


Esta é uma mudança ténue de discurso, mas parece ser já a preparação de uma leitura de resultados eleitorais mais próximos daqueles que indicam os estudos de opinião - que tem sido contestados abundantemente durante a campanha da coligação PCP/PEV. 

"Arranjem mais um voto"

A intervenção desta noite, algo mais curta do que o habitual, foi apresentada como sendo de “apelos finais”. Apelos ao voto na CDU como única força capaz de defender os “interesses” das populações face aos grandes poderes económicos.     

“Os partidos da política de direita, os grupos económicos, o grande capital, os banqueiros têm razão para temer e não gostar de nós, porque somos a única força que pode bulir com os seus interesses”, defendeu Jerónimo de Sousa.


O líder comunista lançou também um repto aos indecisos e àqueles que “pensam que já não vale a pena”.

“Se não prescindirmos de ter voz, que o voto nos dá, é possível romper com esta política desgraçada”, salientou. 


Depois apelou aos militantes e apoiantes que façam tudo o que puderem para levar mais gente às urnas a 4 de outubro.  

“Não se orgulhem apenas quando estiverem dentro da cabina a votar na CDU, arranjem mais um voto, encontrem mais um amigo, façam o vossos trabalho”, pediu. 

O medo e o PS “encolhido”


Nas notas críticas da noite, Jerónimo de Sousa atacou os que “andam para aí a meter medo com a falta de estabilidade governativa”. 

“Enganam-se os que julgam que, pela estratégia do medo, amedrontam o povo, que o povo vai desistir de querer um futuro melhor para as suas vidas”, disse, defendendo que “é hora de derrotar todas as manobras para que a política de direita prossiga por outras mãos”.


Outras mãos, que parecem ser uma referência ao PS, outro dos alvos da noite do secretário-geral do PCP. 

“O PS desapareceu, o PS encolhido, o PS das chamadas abstenções violentas, dizendo até, por vezes, que o PCP é apenas um partido de protesto e que não tem a dimensão de poder”, afirmou Jerónimo de Sousa, assumindo que o PCP é “um partido de protesto”, mas mais do isso.  


“Somos um partido de proposta, mas orgulhamo-nos muito de ser um partido de luta”, sublinhou.