Uma semana e meia de campanha, depois de vários meses na rua, não poupariam ninguém. Não pouparam até, o até agora incansável Jerónimo de Sousa, que, depois de subir mais uma encosta, no Porto, quebrou o tabu do “cansaço”. Na rua de Santa Catarina, assumiu o desgaste, para garantir logo a seguir que acabara de “recarregar as pilhas”. 

“Andamos há meses nesta jornada, nesta batalha empenhada em torno das eleições do dia 4 de outubro. E nós, ao longo deste percurso, com muita iniciativa, muita realização, por vezes ficamos cansados. Mas depois chegamos aqui ao Porto, a Santa Catarina, e nós, que estamos cansados momentaneamente, como que carregamos as pilhas”.


Santa Catarina aplaudiu. Mais uma descarga de energia, no final de uma arruada que arrancou da Praça da Liberdade e trepou a Rua 31 de Janeiro. Lá em cima, Jerónimo de Sousa deteve-se. Levou as mãos à cintura, como costuma fazer. Contemplou a via. Depois, liderou a “invasão”. Santa Catarina é um festival, mesmo sem bandeiras e palavras de ordem. Ainda mais com elas. Mesmo com o sol encoberto. 

E Jerónimo de Sousa, contagiado talvez pelo clima da marcha, muito mais despejado do que o céu, apareceu benevolente, de forma especial em relação ao alvo a que mais tempo dedicou nesta campanha, o PS. Uma resposta também aos apelos de unidade à esquerda, que tem ouvido na rua.  

“Eu não volto a falar do PS outra vez, senão depois vocês transmitem isso e o António Costa fica, enfim, com nervoso”, disse aos jornalistas, a meio da rua. Numa benevolência mais condescende do que sincera, talvez.

 


Jerónimo de Sousa desafiou o PS a clarificar se "está disposto" a uma "mudança" e uma "rutura, a abrir um caminho novo, que os portugueses tanto anseiam", assegurando que existe a disponibilidade da CDU em ir mais além.


"Estamos dispostos a fazer mais do que o caminho que se exige à CDU, mas venham mais para a convergência de democratas e patriotas, demonstrar que o povo não está vencido", garantiu. 


Pouco depois, no palanque montado na rua, Jerónimo de Sousa poupou nas críticas abertas aos socialistas, mas recorreu a um enigma, cuja leitura, ficou em aberto sobre o destinatário:

“Alguns, olhando aí para as sondagens e para as possibilidades de derrota já estão a pensar como é que podem dar à sola”.


Sobre o remetente foi mais claro. “Nesta CDU, as derrotas não nos desanimam e as vitórias não nos descansam”, sentenciou, tal como asseguraria que os partidos da coligação de esquerda não se calarão em defesa dos direitos “do povo e dos trabalhadores”. Aí, sim, com uma farpa menos velada a Paulo Portas:    

“Com uma garantia que vocês sabem, esta sim irrevogável, é que aquilo que estamos a dizer aqui diremos na Assembleia da República”.